Telescópio James Webb vai ao espaço e inaugura revolução na astronomia

A espera chegou ao fim! O Telescópio Espacial James Webb foi lançado rumo ao espaço neste sábado (25), às 9h20 (horário de Brasília).O aparato partiu em um foguete Ariane 5, no espaçoporto europeu na Guiana Francesa.

Chegou a hora de relembrarmos a sua saga até esse momento histórico.

O James Webb, carinhosamente conhecido pela sua sigla em inglês, JWST, foi proposto pela primeira vez no ano de 1996, quando a ideia inicial de um telescópio que observasse o universo profundo em uma órbita longínqua ainda se chamava Next Generation Space Telescope (NGST). Apenas em 2002, após o amadurecimento do projeto, ele foi renomeado em homenagem a um antigo administrador da NASA, James Edwin Webb (1906 – 1992), que liderou diversas missões espaciais importantes, sendo a mais famosa o programa Apollo, que levou o homem à Lua pela primeira vez em 1969.

Comparação da profundidade de observações atingida ao longo do tempoFonte:  NASA 

Evoluindo desde então, a construção do JWST foi encabeçada pela agência espacial americana e contou com a colaboração internacional da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Canadense (CSA). O resultado foi um instrumento que não apenas representa o maior telescópio da história já enviado ao espaço, mas também o telescópio espacial mais poderoso de inúmeras formas. Considerado como o telescópio sucessor daquele que fez história nas últimas décadas, o Telescópio Espacial Hubble (HST), o JWST colocará um novo marco na era moderna de observações espaciais.

Segmentos do espelho principal do James Webb no laboratório, após a montagem concluída e todos os revestimentos aplicadosSegmentos do espelho principal do James Webb no laboratório, após a montagem concluída e todos os revestimentos aplicadosFonte:  Chris Gunn 

Seus objetivos científicos podem ser resumidos em quatro pontos principais: estudar a luz oriunda das primeiras estrelas e galáxias que se formaram no Universo, apenas alguns milhões de anos após o Big Bang; estudar a formação e evolução das galáxias; estudar a origem e a evolução de estrelas e sistemas planetários; e, por fim, estudar as origens da vida.

Em termos de especificações técnicas, o JWST coleciona uma série impressionante de “selos inéditos”: é o primeiro telescópio espacial do seu tamanho e inaugura uma nova categoria de grandes dimensões; possui um espelho de diâmetro primário de aproximadamente 6,5 metros, quase duas vezes maior que o telescópio Herschel da ESA, detentor do recorde anterior; é o primeiro telescópio espacial com seu grau de sofisticação em instrumentos e sistemas; é o primeiro telescópio desta natureza que não estará localizado em órbita próxima à da Terra, ficando a cerca de 1.500.000 quilômetros de distância em uma posição conhecida como ponto de Langrange L2, muito além da distância até a Lua; e diversos outros aspectos.

Concepção artística de como o JWST ficará ao estar em funcionamento no espaçoConcepção artística de como o JWST ficará ao estar em funcionamento no espaçoFonte:  Northrop Grumman 

O JWST será especializado em observações astronômicas em comprimentos de onda do infravermelho próximo e do infravermelho médio, o que lhe permitirá abrir a janela do Universo que se esconde atrás das densas nuvens de poeira e gás interestelar que obscurece a visão de grande parte dos telescópios atuais, mesmo os da última geração.

Além de seu poder de penetração nas estruturas obscurecidas, as observações no infravermelho do JWST serão fundamentais para observar objetos mais frios e menos brilhantes. Isso porque quanto mais distante um objeto está, mais jovem ele parece em sua própria escala de tempo, uma vez que sua luz demorou mais para chegar aos nossos olhos. Como o universo está se expandindo, à medida que a luz viaja, ela se torna mais avermelhada e, como consequência, objetos em distâncias extremas são mais fáceis de se detectar no infravermelho.

Comparação da Nebulosa Carina em luz visível (esquerda) e no infravermelho (direita).Comparação da Nebulosa Carina em luz visível (esquerda) e no infravermelho (direita).Fonte:  NASA/Hubble 

A jornada do JWST desde sua concepção inicial até o momento do seu lançamento, entretanto, não foi nada fácil. Uma série de eventos inoportunos, desde perda dados de engenharia até problemas com gerenciamento de projetos, passando por problemas de financiamento (e, não podemos esquecer, a pandemia de coronavírus) foram atrasando continuamente a data de lançamento programada, ano após ano.

A primeira data de lançamento foi prevista para 2007. De lá, foi adiada para 2011. De 2011, foi para 2014, depois para 2018, para 2020 e, finalmente, para 2021. Isso para não citar os atrasos que houveram nos meses deste ano. Contudo, depois de todo esse tempo (e muito ceticismo e piadas depois), cá estamos, finalmente!

O JWST está equipado para revolucionar a nossa compreensão do Cosmos e a possibilidade de encontrar coisas surpreendentes e totalmente inesperadas estará ao alcance de astrônomos do mundo todo, inclusive do Brasil!

Agora, resta-nos esperar um pouco mais, pois o que está por vir depende apenas do que o Universo manteve escondido do nosso olhar.

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