Secretário do Ministério da Economia explica novos acordos do Mercosul

Os líderes do Mercosul, reunidos no Paraguai, decidiram manter a redução adicional de 10% da Tarifa Externa Comum, chamada TEC, até dezembro de 2023. A medida foi defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e também foi fechado um acordo de livre-comércio entre o bloco dos países sul-americanos e Singapura, o que pode representar um adicional de R$ 28,1 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2041.

Para falar sobre as movimentações do Mercosul, o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, consultou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, que inicialmente detalhou o histórico da economia brasileira no comércio internacional: “O Brasil ainda é um país muito carente de acordos comerciais. Temos uma rede de acordo comerciais ainda muito aquém do que seria esperado para um país com as dimensões da economia brasileira. O Brasil, a despeito de ser a décima economia do mundo, tem uma participação de apenas 1,3% no comércio internacional. O Brasil ainda está apenas entre os 25 a 30 maiores exportadores e importadores do mundo”.

De acordo com o secretário, os esforços para atingir uma maior inserção do Brasil no comércio internacional passa por dois eixos: a intensificação da rede de acordos comerciais e a reforma da Tarifa Externa Comum. Com relação à TEC, Ferraz defendeu a redução: “A TEC foi criada em 1995 e nunca foi reduzida. O Mercosul hoje é um bloco que tem tarifas de importação muito acima da média mundial, entre as maiores tarifas de importação do mundo. E isso acarreta em uma baixa competitividade do setor privado brasileiro”.

“Foram mais de 400 acordos comerciais formalizados no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) apenas nos últimos 30 anos. E, no Brasil, basicamente nos últimos 30 anos o único acordo significativo formalizado foi o próprio Mercosul”, criticou. Para o especialista, o acordo com Singapura, que representa o primeiro acordo de livre-comércio entre o Mercosul e um país da região asiática, é um importante avanço na inserção internacional da economia brasileira.

Ferraz projeta que a aproximação com Singapura pode gerar vínculos internacionais para além da Ásia: “Singapura, pouca gente sabe, é o segundo maior destino das exportações brasileiras na Ásia, depois da China. Nós exportamos em 2021, para Singapura, mais do que nós exportamos para o Japão, Coreia do Sul, Canadá e México, que são parceiros comerciais importantes do Brasil. Singapura também é uma fonte de investimentos externos diretos, grande receptor desses investimentos”.

“E, mais importante ainda, é um país conectado a 27 acordos comerciais. O que significa isso? Singapura é um país conectado a 90% do PIB mundial, ou seja, ele tem acesso preferencial em suas exportações a 90% do PIB mundial, significando que ele pode servir como um hub de exportação para o Brasil e para os países do Mercosul. Isso porque, uma vez que você exporta para Singapura, automaticamente você tem o acesso preferencial a 90% do PIB global”, explicou.


Fonte: Jovem Pan

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