Saída dos EUA do Afeganistão, vulcão na Espanha e posse de Biden: as principais notícias do mundo em 2021

O ano de 2021, que começou com um ato de terrorismo doméstico dentro do Capitólio dos Estados Unidos, foi marcado por mudanças políticas, sociais e ambientais em algumas nações. Em Cuba, pela primeira vez em seis décadas, um irmão Castro não estava no poder; nas Ilhas Canárias, um vulcão adormecido desde 1970 voltou à atividade e deixou milhares de desabrigados; no Afeganistão, que uma geração de jovens que só conhecia um Estado assistido pela presença dos EUA voltou a ser comandada pelo Talibã. Confira, abaixo, algumas das principais notícias que abalaram o mundo no ano de 2021:

Após semanas sendo instigados pelos discursos do então presidente Donald Trump, que não reconhecia a derrota nas urnas para o democrata Joe Biden e alegava fraudes nas eleições de 2020, apoiadores do republicano saíram de todas as partes dos Estados Unidos para protestar diante do Capitólio, em Washington D.C., em 6 de janeiro de 2021, no dia em que o Congresso e o Senado dos EUA votavam para ratificar a vitória de Biden. Os protestos escalaram violentamente, ocasionando a invasão do espaço, a transferência às pressas dos parlamentares e jornalistas do local para uma sala escondida e a depredação de diversas áreas do prédio federal, com tudo registrado nas redes sociais. Cinco pessoas morreram na ocasião: quatro manifestantes e um policial que guardava o Capitólio no momento da invasão. O FBI anunciou uma “caçada” aos responsáveis pelo crime e, até o momento, mais de 540 pessoas envolvidas nos atos foram identificadas pelo Distrito de Columbia e pelo menos 400 receberam algum tipo de punição legal até o momento. A maior pena aplicada até agora pela Justiça dos EUA foi ao “Xamã do QAnon”, Jacob Anthony Chansley, que entrou fantasiado no local e foi condenado a 41 meses de prisão.

Em cerimônia restrita no ápice da pandemia da Covid-19 nos Estados Unidos, o democrata Joe Biden tomou posse como o 46º presidente da nação norte-americana em 20 de janeiro, substituindo o republicano Donald Trump, que naquele momento era alvo de um processo de impeachment por causa da incitação à violência cometida no Capitólio semanas antes. O dia também marcou a posse de Kamala Harris como primeira mulher e primeira pessoa afro-americana a ser vice-presidente na história dos EUA. Em seu discurso, Biden falou em unir a nação, em combater a Covid-19 e denunciou o terrorismo doméstico cometido por supremacistas brancos no país. Como Donald Trump não foi à cerimônia de posse do democrata, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi o representante do governo anterior na cerimônia.

O gigante cargueiro Ever Given, de 400 metros de comprimento, encalhou no estreito Canal de Suez, principal ponto de conexão entre a Europa e a Ásia, no dia 23 de março de 2021. Ao longo de uma semana, serviços de drenagem e escavação da região foram realizados até a liberação do tráfego, que demorou três dias para ser normalizado. Apesar de ter passado uma semana bloqueando o canal, o navio só saiu da região mais de três meses depois, em 7 de julho. Isso aconteceu porque o governo egípcio cobrou uma indenização de US$ 916 milhões pelo transtorno causado e a empresa japonesa responsável pela embarcação, Shoei Kisen Kaisha, estabeleceu uma série de negociações até que um acordo fosse firmado. Os valores finais do acordo não foram divulgados, mas a empresa concordou em pagar uma indenização milionária ao canal, outra à família de um trabalhador que morreu no processo de desencalhe e doar um rebocador de 75 toneladas ao Egito.

O Partido Comunista de Cuba elegeu em votação interna no dia 18 de abril o próprio presidente do país, Miguel Díaz-Canel, para ocupar a cadeira de Raul Castro como primeiro-secretário da legenda, marcando a primeira vez em 60 anos na qual a ilha de Cuba deixou de ser comandada por um dos irmãos símbolos do comunismo no país. A mudança de poder, somada à alteração na moeda e à crise da Covid-19 criou o “cenário perfeito” para que protestos contra o governo fossem realizados ao longo de todo o mês de julho, o que foi fortemente abafado pelo governo, causando uma morte, alguns jornalistas agredidos e centenas de pessoas presas.

O mês de abril foi um dos mais dolorosos da pandemia da Covid-19 na Índia, que registrou um cenário de caos com falta de oxigênio e leitos para pacientes, recordes diários de contaminações e óbitos, o surgimento da potente variante Delta e até mesmo cremações coletivas a céu aberto. O país asiático, que tem cerca de 20% de toda a população mundial, é hoje o terceiro em número de mortes oficiais pelo coronavírus no mundo, com quase 500 mil óbitos, atrás de Brasil e Estados Unidos. Especialistas acreditam, porém, que a subnotificação possa fazer esse número ser oficialmente menor do que ele realmente é.

A região da Faixa de Gaza, marcada há décadas por conflitos, registrou um ápice de violência com trocas de disparos de mísseis entre o Hamas, na Palestina, e o governo de Israel no começo do mês de maio. Os conflitos na região em 2021 começaram após uma ameaça de despejo de famílias formadas por adultos e crianças palestinas que viviam em um bairro do Sheikh Jarrah, do lado de fora da Cidade Velha de Jerusalém. O local no qual eles viviam teria sido comprado por israelenses e protestos começaram a ser registrados na região. Alguns dos movimentos foram abafados com violência, o que fez o Hamas disparar os primeiros foguetes contra Israel, que revidou. De um lado, o Hamas forçou milhares de cidadãos israelenses a correrem para abrigos antiaéreos e causou o fechamento temporário do Aeroporto Internacional Ben Gurion, mas a grande maioria dos seus projéteis falhou ou foi interceptada antes que causasse qualquer dano ao território inimigo. Do outro, Israel conseguiu matar líderes do Hamas e atingir estruturas importantes que eram utilizadas pelo grupo, mas não extinguiu o movimento islâmico palestino por completo e ainda sofreu a pressão da comunidade internacional por ter causado a morte de civis. Um acordo por cessar-fogo foi firmado após 10 dias de bombardeio e entrou em vigor no dia 21 de maio. Ao todo, pelo menos 12 israelenses e 232 palestinos foram mortos, incluindo 63 crianças e 38 mulheres.

Na madrugada do dia 24 de julho, um prédio de 12 andares na beira-mar da praia de Surfside, no condado de Miami-Dade, na Flórida, desabou, deixando 98 pessoas mortas e dando início a uma operação de resgate de semanas. Equipes de bombeiros do Chile e de Israel, especialistas em resgates em escombros, foram até a região para tentar ajudar, mas nenhuma pessoa foi retirada com vida do local após as primeiras horas da queda. Entre as vítimas fatais do desabamento estavam a cunhada do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, e seus três filhos.

Apesar de ter sido iniciado em novembro de 2020, o conflito que marca a região de Tigré, comandada por uma etnia do mesmo nome na Etiópia, ganhou as manchetes mundiais com a morte de 60 pessoas no bombardeio de um mercado realizado pelo próprio Exército do país e, em seguida, no assassinato de três trabalhadores do Médicos Sem Fronteiras: uma coordenadora de emergência identificada como Maria Hernandez, natural da Espanha, um assistente de coordenação chamado Yohannes Haleform e um motorista, identificado como Tedros Gebremariam Gebremichael, ambos nascidos na Etiópia. Eles trafegavam pela região no dia 26 de junho quando perderam o contato. Os três corpos foram achados ao lado do veículo usado pelo grupo. Os conflitos foram iniciados quando o presidente da Etiópia, Abiy Ahmed, ordenou que tropas fossem enviadas até o local para “desarmar” líderes da Frente de Libertação do Povo do Tigré, grupo que esteve no poder entre 1991 e 2018, justificando que esses “rebeldes” realizavam ataques a instalações federais. A crise se agravou ao longo do ano e Abiy Ahmed, que já tinha ganhado um Nobel da Paz, se tornou o rosto da longa guerra civil no país. Aos olhos de grupos internacionais de direitos humanos, ele promoveu um massacre da etnia no país.

O Haiti, país mais pobre das Américas, passou por um agravamento da convulsão social na qual já vivia na madrugada do dia 7 de julho, quando o presidente Jovenel Moïse foi assassinado dentro da casa oficial onde morava com sua esposa, Martine Moise, que chegou a ser dada como morta, mas sobreviveu após passar por tratamento em Miami. Na ocasião, o primeiro-ministro, Claude Joseph, assumiu o comando do país por quase duas semanas até renunciar e entregar o cargo dele ao primeiro-ministro que tinha sido indicado por Moise, Ariel Henry. Até o momento, mais de 40 suspeitos de envolvimento no crime foram detidos, incluindo 18 ex-soldados colombianos e policiais haitianos.


Fonte: Jovem Pan