Rússia é suspensa do Conselho dos Direitos Humanos e fica mais isolada

A Assembleia Geral da ONU decidiu na quinta-feira, 7, pela suspensão da Rússia do Conselho dos Direitos Humanos, com 93 votos a favor,  24 contrários e 58 abstenções. 175 países participaram da votação. A decisão vem após a repercussão do massacre na cidade de Bucha, na Ucrânia, e ao pedido dos países ocidentais pela suspensão dos russos. O Brasil se absteve da votação argumentando que “acredita que a comissão de inquérito deve ter permissão para concluir sua investigação independente para que as responsabilidades possam ser determinadas”, disse o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho. Em relação a Bucha, ele declarou estar profundamente preocupado com supostas violações de direitos humanos na Ucrânia, e está “totalmente comprometido em encontrar maneiras de cessar imediatamente as hostilidades e promover um diálogo real que leve a uma solução pacífica e sustentável”. Assim como Brasil, México e Índia, três membro não permanentes do Conselho, se abstiveram da votação. A China deixou de se abster e votou não. Para suspender a participação de um país, é necessário o voto favorável de dois terços dos países, dentro de um total de 193 Estados-membros.

Na segunda-feira, 4, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse que a “Rússia não deve ocupar uma posição de autoridade neste órgão” e nem deve ser permitido que ela “use seu papel no Conselho como uma ferramenta de propaganda para dizer que tem uma preocupação legítima com os direitos humanos”. A participação da Rússia no Conselho de Direitos Humanos é uma farsa”, disse Thomas-Greenfield. A suspensão de um país por violações graves aconteceu uma vez desde 2006, quando o órgão foi criado. A Líbia foi expulsa em 2011, pela repressão dos protestos populares contra o regime de Muammar al-Gaddafi. Em 24 de março, a mesma Assembleia votou por 140 a 5 e 38 abstenções pela culpabilização da Rússia pela crise humanitária da Ucrânia e pedindo um cessar-fogo imediato.

Após a votação, o Kremlin lamentou a decisão e disse que pretende “continuar a defender seus interesses por todos os meios legais”, disse Dmitri Peskov, em entrevista ao canal britânico Sky News. Por outro lado, os ucranianos celebram o resultado. “Agradecemos a todos os Estados-membros que apoiaram a resolução [da AGNU] e ficaram do lado certo da história”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, no Twitter. “Os criminosos de guerra não têm lugar nos organismos da ONU encarregados da proteção dos direitos humanos”, acrescentou.

 


Fonte: Jovem Pan

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