Raio-X eleitoral: Os palanques estaduais de Lula e Bolsonaro a três meses da eleição

A menos de três meses do primeiro turno das eleições 2022, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos para a presidência da República seguem com lacunas nos palanques políticos Brasil afora. De um lado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta resistências para angariar alianças em Estados como Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, e no Nordeste, única região em que foi derrotado pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) nas eleições de 2018. Na contramão, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), que lidera todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, tem o desafio de fixar apoio no Sul do país, onde os partidos de esquerda patinam nas pesquisas de intenção de voto. Nesse cenário, a cerca de 20 dias do anúncio oficial das candidaturas, a Jovem Pan preparou um raio-x eleitoral, explicando a situação de Lula e Bolsonaro e alguns dos principais palanques estaduais pelo país.

Com o maior colégio eleitoral do país, somando mais 32 milhões de eleitores, São Paulo desponta como uma das situações mais definidas para ambos candidatos, inclusive com chance de palanque duplo para Lula. No Estado, o petista terá Haddad como braço direito, que soma 28% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 30. Se a eleição fosse hoje, o ex-presidente também teria subiria no palanque do ex-governador de São Paulo Márcio França, filiado ao PSB, sigla de Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice em sua chapa ao Planalto. No entanto, o entorno de Haddad dá como certo o recuo de França em direção ao Senado – coordenadores da campanha do ex-prefeito afirmam que o movimento deve se consolidar após a desistência do apresentador José Luiz Datena (PSC), que disputaria a cadeira paulista na Casa Alta do Congresso Nacional na chapa do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo. No cenário sem França, de acordo com o Datafolha, Gomes de Freitas empate numericamente com o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB). Em diversas ocasiões, o presidente da República tem exaltado o trabalho feito pelo ex-auxiliar. “Ele pode, sim, ser uma esperança para São Paulo”, afirmou o presidente na ocasião, quando confirmou a aliança e a pré-candidatura do ex-ministro.

No Estado de origem do presidente a situação se inverte e se mostra mais favorável. No Rio, Bolsonaro contará com o apoio do governador Cláudio Castro (PL), seu correligionário. Em 2018, o então candidato conquistou 67,95% dos votos. O candidato do PL aparece tecnicamente empatado com Marcelo Freixo, do PSB, na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 30. Castro chega aos 23%, ante 22% do deputado federal, candidato apoiado pelo PT no Estado. 

Em solo mineiro, a base de apoio petista já está definida na figura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD). Depois de semanas de intensas articulações entre petistas e pessedistas, Lula e Kalil apareceram juntos em atos políticos no mês passado, confirmando o entrosamento e o palanque local. O desafio, neste momento, é alavancar a candidatura do ex-gestor da capital. De acordo com o Datafolha, Kalil tem 21% das intenções de voto, bem distante dos 48% do atual governador, Romeu Zema (Novo), de quem o presidente Jair Bolsonaro tenta se aproximar. Enquanto aliados do Planalto trabalham para selar um acordo com Zema, o chefe do Executivo mineiro garante apoio ao cientista político Luiz Felipe D’Avila, pré-candidato da sigla à Presidência. Em entrevista recente, Bolsonaro mencionou o nome do atual governador e reconheceu pontos positivos de sua gestão em Minas Gerais. O palanque mineiro e o desempenho dos presidenciáveis no Estado são historicamente importantes – e é por isso que Lula e Bolsonaro travam uma disputa particular por lá. Desde 1989, o candidato que vence a disputa no Estado, conquista a Presidência da República.

A disputa por alianças para o governo da Bahia representa uma das maiores no país. Embora tanto o ex-presidente Lula quanto o presidente Jair Bolsonaro tenham nomes próximos concorrendo ao Palácio de Ondina, o principal palanque político no Estado ainda não foi definido: o de ACM Neto (União Brasil), que pode vencer as eleições ao governo baiano no primeiro turno. Segundo pesquisa Real Time Big Data, o ex-prefeito de Salvador lidera com 55% das intenções de voto. Atrás dele, o ex-secretário de Educação do governo baiano Jerônimo Rodrigues (PT), nome apoiado por Lula, aparece com 18%. Na terceira colocação está o ex-ministro da Cidadania João Roma (Republicanos), com 10%. O União Brasil tem sido cortejado por lideranças ligadas ao governo Bolsonaro, mas Neto deve selar uma aliança com o PDT, de Ciro Gomes, nos próximos dias. 

Em Pernambuco, o palanque político de Bolsonaro é representado por Anderson Ferreira (PL), atual prefeito da cidade de Jaboatão dos Guararapes. Ao lado dele, o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, candidato ao Senado Federal, compõe a chapa majoritária no Partido Liberal no Estado. Do lado da esquerda, a disputa por apoio é marcada por uma série de polêmicas. Isso porque, de um lado, parte dos petistas anunciou apoio à Marília Arraes (Solidariedade), o que motivou a divisão na legenda, que tem o deputado federal Danilo Cabral (PSB) como candidato escolhido por Lula para o Palácio do Campo das Princesas.

Se em São Paulo o cenário político traz oportunidade de palanque duplo para Lula, em Santa Catarina a situação se repete e também envolve o atual presidente. No Estado, a disputa é mais favorável aos bolsonaristas, com dois candidatos despontando nas primeiras posições: Carlos Moisés (Republicanos), atual governador, e Jorginho Mello (PL), que sai do Senado Federal para disputar vaga ao governo catarinense, formando palanque duplo para Jair Bolsonaro no Estado. Do lado petista, também há a possibilidade de palanque duplo: até o momento, o ex-deputado federal Décio Lima (PT) e o senador Dário Berger (PSB) aparecem como pré-candidatos ao governo estadual. Existe, porém, a expectativa de que as siglas cheguem a um consenso nos próximos dias para apoiar uma candidatura única – o nome petista desponta como favorito. Até o momento, no entanto, os postulantes de PT e PSB patinam nas pesquisas e aparecem com 9% e 4% das intenções de votos, respectivamente.

No Rio Grande do Sul, mais uma vez o ex-presidente Lula pode ter mais de um palanque. No caso, em três partidos: PT, PSOL e PSB. Enquanto o Partido dos Trabalhadores traz a pré-candidatura do petista Edegar Pretto, que tem 7% das intenções de votos nas pesquisas, há ainda Beto Albuquerque (PSB) e Pedro Ruas (PSOL), ambos com 6%. No entanto, o cenário é visto como negativo, uma vez que as opções dividem a esquerda e podem inviabilizar um palanque para Lula no segundo turno. Por outro lado, o acordo costurado pelo presidente Bolsonaro é mais promissor e envolve o ex-ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni (PL). Líder nas pesquisas de intenção de votos no Estado, o ex-membro do governo é apoiador declarado o atual presidente. Ele chegou a falar em “lealdade” ao mandatário e afirmou que a mudança de partido – do DEM ao PL – permitiria “estar 100% ao lado de Bolsonaro”. Há, ainda, a pré-candidatura do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), ferrenho defensor do Planalto na CPI da Covid-19.


Fonte: Jovem Pan

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