Quem foi James Webb e por que o telescópio carrega seu nome?

O mais poderoso telescópio da atualidade, o James Webb, já enviou suas primeiras fotos, que encantaram a humanidade. Mas você sabe quem foi o homem homenageado? Entenda quem foi, quais as contribuições e polêmicas relacionadas a esse personagem da história.

James Edwin Webb foi o segundo dirigente da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), dos Estados Unidos, a convite do então presidente John Kennedy, que havia prometido que o homem pousaria na Lua até o final da década de 1960.

Webb nasceu em Tally Ho, Carolina do Norte, Estados Unidos, em 1906. Ele não era um cientista ou engenheiro. Webb se formou em educação em 1928, pela Universidade da Carolina do Norte, e em direito pela Universidade George Washington, em 1936.

James Webb se casou com Patsy Aiken Douglas, com quem teve dois filhos.Fonte:  NASA 

Ele teve uma vida mais voltada ao serviço público, apesar de também ter seguido carreira militar. Webb foi segundo tenente no corpo de fuzileiros navais, onde serviu como piloto entre os anos de 1930 e 1932, e participou da Segunda Guerra Mundial.

Após retornar da guerra Webb foi nomeado Diretor de Orçamento do gabinete do presidente, cargo que ocupou até 1949, quando assumiu como Subsecretário de Estado do Departamento de Estado dos Estados Unidos, até o final do mandato do presidente Harry S. Truman.

Chegada à NASA

Após passar algum tempo na Kerr-McGee Oil Corp, James Webb foi convidado a ser administrador da NASA. A princípio ele pensou em não aceitar o cargo, visto que ele não tinha contato com ciências, tendo sua carreira mais voltada à burocracia.

Mas acabou aceitando o desafio e liderou a NASA entre os anos de 1961 e 1968. Durante seu mandato, graças aos seus contatos e disposição política, grandes avanços foram conquistados.

De acordo com a biografia de Webb disponível no site da NASA, ele “acreditava que a NASA tinha de encontrar um equilíbrio entre o voo espacial humano e a ciência, porque tal combinação serviria como um catalisador para fortalecer as universidades e a indústria aeroespacial do país.

Até sua aposentadoria, a NASA já havia enviado mais de 75 missões espaciais a fim de desbravar nosso universo. O homem pisou na Lua pela primeira vez em 1969, meses após Webb sair da direção da NASA. Os esforços de Webb repercutem até hoje.

O campo de flores de Webb

Mas nem todas as contribuições da administração de James Webb, seja na NASA ou em Washington, são louváveis.

Um movimento que se iniciou nos anos de 1950, perseguia pessoas LGBTQIA+. Qualquer funcionário que levantasse suspeitas sobre sua sexualidade, corria o risco de ser demitido. A essa caça dentro do governo americano, e na própria NASA, se deu o nome de “Lavender Scare”, traduzindo literalmente, o susto da lavanda.

De acordo com familiares de Webb, em entrevista à revista Nature, “James seria incapaz de discriminar alguém”. No entanto, aparentemente, ele não relutou contra essa política de exclusão, contribuindo para a continuidade desse sistema infame.

Homenagem e polêmica

Em 2002, quando foi anunciado o telescópio que seria sucessor do Hubble, o nome dado ao novo equipamento causou alvoroço. Sean O’ Keefe, o então administrador da NASA, anunciou que o nome escolhido seria Telescópio Espacial James Webb (JWST).

A equipe diz ter considerado uma homenagem justa a uma das figuras mais importantes que já passaram pela administração da NASA, e que sob sua tutela a agência alçou voos jamais imaginados.

No entanto, o nome escolhido gerou surpresa por vários motivos. Entre eles, o telescópio não ter sido nomeado em homenagem a um cientista, como é o costume. Em segundo lugar, a surpresa está em o nome escolhido estar envolvido em um programa de segregação.

A nomeação causou furor no mundo científico pedindo que o nome fosse substituído. Mas apesar da polêmica, a NASA recusou o pedido, dizendo que não havia provas de que o “susto da lavanda” era algo que realmente teria acontecido.

O telescópio batizado em homenagem a James Webb é o mais potente já construído pela humanidadeO telescópio batizado em homenagem a James Webb é o mais potente já construído pela humanidadeFonte:  Shutterstock 

Apesar da negativa da NASA, a discussão sobre a substituição do nome permanece. Além disso, também surgiu a discussão sobre a nomeação de praças, parques, monumentos, e afins, com nomes de pessoas que possam estar envolvidas em casos de discriminação, seja de forma direta ou indireta, e a repercussão disso na sociedade.

Apesar das contribuições indiscutíveis de Webb, seu legado tem marcas profundas, não apenas nas ciências, mas também na vida das pessoas que tiveram seus empregos tomados.

Ao passo que vamos evoluindo como sociedade, devemos pensar sobre o custo da recompensa de atitudes que possam ser consideradas infames. Apesar de toda sua contribuição ter sido de extrema importância, James Webb tem um borrão que ofusca todo o brilhantismo de sua carreira.

Veja a postagem original em: TecMundo

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