Quais são os sintomas da varíola de macacos?

*Este texto foi escrito com base em artigos científicos, informações de agências e autoridades sanitárias, hospitais e especialistas em saúde. Se você ou alguém que você conhece possui algum dos sintomas descritos aqui, nossa sugestão é que um médico seja procurado o quanto antes.

A varíola de macacos foi declarada recentemente como emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, já são quase 700 casos confirmados da doença, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.

As informações sobre a doença dão conta de que sua transmissão é realizada via contato íntimo e, na maioria das vezes — até o momento —, por relação sexual.

Foi esse o caso em 95% das pessoas com a infecção estudadas por um grupo colaborativo internacional de pesquisadores que reuniu todos os sintomas apresentados por 528 portadores da doença em 16 países durante abril e junho deste ano.

Segundo o estudo, 98% das pessoas com a infecção eram homens gays ou bissexuais, 75% deles brancos e 41% possuíam também infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV); a idade mediana foi de 38 anos. É importante ressaltar, no entanto, que qualquer pessoa, independente de comunidade de risco, pode pegar a doença.

Erupções cutâneas estão entre as principais manifestações da varíola dos macacosFonte:  Shutterstock 

E ainda que a proximidade sexual seja a via de transmissão mais provável na maioria dos casos, os pesquisadores enfatizaram que o vírus pode ser transmitido por qualquer contato físico próximo com o portador, como o contato com grandes gotículas respiratórias, roupas e outras superfícies contaminadas.

Mas afinal, quais sintomas da varíola dos macacos os pesquisadores conseguiram reunir após o estudo? Veja a seguir o que eles descobriram.

Sintomas da varíola de macacos

Muitos dos indivíduos infectados analisados apresentaram sintomas não reconhecidos inicialmente nas definições médicas de varíola dos macacos. O período médio de incubação — até que o paciente apresente os sintomas — foi calculado em 7 dias (com um intervalo de 3 a 20 dias).

Os sintomas identificados na pesquisa incluem lesões genitais únicas e feridas na boca ou ânus — semelhantes aos das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) — que podem facilmente levar a erros de diagnóstico.

Antes das erupções cutâneas típicas da doença, os especialistas listaram que é comum aparecer:

  • febre (em 62% dos casos);
  • letargia (cansaço mental e físico, relatado em 41% dos pacientes);
  • mialgia (dores musculares, presentes em 31% dos casos);
  • dor de cabeça (em 27%);
  • inchaço dos linfonodos (relatado em 56% dos diagnosticados).

Lesões de pele:

O sintoma mais comum da doença são as lesões de pele: elas foram observadas em 95% das pessoas estudadas. Os locais mais comuns foram: na região anal/genital (73%); no tronco, braços ou pernas (55%); no rosto (25%) e nas palmas e plantas dos pés (10%).

As lesões variam entre maculares (manchas), pustulosas (com pus), vesiculares (com bolhas) e crostosas (com crosta), além de apresentarem várias fases simultaneamente. A maioria dos pacientes (58%) apresentou lesões descritas como vesiculopustulosas — com bolhas e pus.

Imagem mostra exemplos de erupções cutâneas causadas pelo vírus da varíola dos macacosImagem mostra exemplos de erupções cutâneas causadas pelo vírus da varíola dos macacosFonte:  UK Health Security Agency 

O número de lesões por infectado variou, com a maioria tendo menos de 10 lesões. 54 pessoas apresentaram apenas uma úlcera genital. Lesões da mucosa foram relatadas em 41% das pessoas.

Em 61 pessoas houve envolvimento da mucosa do ânus, associada com dor e inflamação na mucosa anorretal, vontade intensa de evacuar (tenesmo) e/ou diarreia.

Sintomas orofaríngeos:

Uma parcela menor entre os estudados — 26 pessoas — teve também sintomas orofaríngeos, incluindo faringite, dor ao engolir, infecção bacteriana da epiglote e lesões orais ou nas amígdalas. Três pessoas tiveram também lesões da mucosa conjuntival (dos olhos).

Imagem mostra exmplos de feridas causadas pela varíola dos macacosImagem mostra exmplos de feridas causadas pela varíola dos macacosFonte:  NHS England High Consequence Infectious Diseases Network 

As lesões permanecem ativas por até 21 dias após o início dos sintomas. Não foi relatada nenhuma morte entre os pacientes estudados.

Internações por varíola dos macacos

Entre os 528 participantes do estudo, apenas 70 (13%) precisaram ser hospitalizados; os motivos de internação foram diversos, mas a grande maioria foi para manejo da dor — principalmente por dor anorretal intensa (21 pessoas).

As outras internações foram para tratar superinfecção de tecidos moles (18 pessoas); faringites que limitavam a ingestão oral (5 pessoas) e controle de infecção (em 13 pessoas). Em proporção menor, houve internados para tratamento de lesões oculares (2); lesão renal aguda (2) e miocardite (2).

Até o momento, dados oficiais da OMS dão conta de cinco mortes em decorrência da varíola de macacos no mundo.

Prevenção da varíola de macacos

O TecMundo preparou um conteúdo especial sobre prevenção à doença que pode ser acessado aqui. Entre os cuidados básicos, estão higiene das mãos com água e sabão; praticar sexo seguro, usando proteção; evitar contato com animais doentes, mortos, ou que possam estar infectados e, em caso de convívio com pessoas contaminadas, evitar contato próximo e com roupas ou objetos de uso pessoal da pessoa infectada.

A prevenção também é realizada por meio de vacina, que ainda não está disponível para toda a população. Atualmente, ela é ofertada em alguns países, como Canadá e Estados Unidos, apenas para profissionais da saúde e pessoas que tenham contato direto com pacientes e pessoas infectadas. Homens gays e bissexuais têm prioridade para receber o imunizante.

Artigo: NEJMDOI: 10.1056/NEJMoa2207323.

Veja a postagem original em: TecMundo

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