Quadrado mágico, estreia de CR7 e Messi e adeus de Zidane: Copa de 2006 foi um divisor no futebol

Há 16 anos, Itália e França entravam no gramado do Estádio Olímpico em Berlim, na Alemanha, para disputar a final da Copa do Mundo de 2006. A decisão acabou empatada em 1 a 1 e a Azzurra sagrou-se campeã na disputa de pênaltis, após vitírua por 5 a 3. O título corou uma grande geração da Itália, que tinha nomes como Buffon, Cannavaro, Del Piero, Gattuso, Totti, Nesta, Inzaghi, Pirlo e Materazzi. Depois disso, no entanto, a torcida italiana jamais voltou a sorrir em um Mundial. As eliminações na primeira fase das Copas da África do Sul-2010 e Brasil-2014 ficaram bem aquém de sua tradição. Pior ainda foi o desempenho nos anos seguintes: os tetracampeões nem sequer se classificaram para Rússia-2018 e Catar-2022 (a ser disputada a partir de novembro).

O Mundial de 2006 também marcou o último jogo da carreira de Zinedine Zidane, astro da França que marcou um gol na final e foi expulso na prorrogação após dar uma cabeçada no peito de Materazzi. Anos depois, o xerifão italiano revelou o que deixou o francês tão nervoso. “Ele [Zidane] disse: ‘Eu lhe darei minha camisa mais tarde’. Respondi que preferia a irmã dele”. Já Ronaldinho Gaúcho não se despediu do futebol, mas também encerrou na Alemanha a sua história nas Copas. Preterido por Dunga em 2010, Gaúcho fez parte do último esquadrão brasileiro — o time ainda contava com craques como Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldo e Adriano.

Enquanto uns se despediam, outros iniciavam sua história. Messi e Cristiano Ronaldo, que dominaram as premiações de melhor do mundo entre 2008 e 2019 — só perderam uma vez no período —, estrearam em Copas no Mundial da Alemanha. O argentino, que tinha 18 anos quando o torneio começou (completou 19 em seu decorrer), era reserva da seleção alviceleste. Ele participou de três jogos e fez um gol, contra Sérvia e Montenegro, mas não entrou em campo na eliminação para a Alemanha, nas quartas de final. CR7, por sua vez, já era uma estrela do forte selecionado português, que terminou a competição em quarto lugar. A Copa do Mundo do Catar provavelmente será a última da histórica dupla.

Eleito três vezes o melhor jogador do mundo (1998, 2000 e 2003), Zinedine Zidane se despediu do futebol na final contra Itália. Após primeira fase apagada, o craque ajudou a França a despachar a Espanha nas oitavas de final, teve atuação de gala ante o Brasil, nas quartas, e fez, contra Portugal, o gol que classificou sua seleção à decisão. Na final, fazia boa partida, com direito a gol de pênalti no estilo cavadinha, quando perdeu a cabeça e desferiu uma cabeçada em Materazzi. A França perdeu o título, mas Zidane, para o bem e mal, entrou para a história. Ele ainda foi eleito o melhor jogador daquela Copa.

O Mundial contou com inúmeros craques. A Alemanha, que sediou o torneio, tinha em seu elenco Kahn, Klose e Ballack, além dos estreantes Lahm e Schweinsteiger, que conquistariam o mundo em 2014. A Holanda tinha os experientes Van Der Sar, Van Nistelrooy e os jovens Robben e Van Persie. A Suécia era comandada por Ibrahimovic. A Argentina apostava na experiência de Crespo e Riquelme. Já a Inglaterra apostava em nomes como Gerrard, Lampard e Owen. A Espanha, que começava a se firmar entre as melhores do mundo, tinha como referências Raúl e Puyol, além de uma nova geração comandada por Xavi, Iniesta e Sergio Ramos. Figo (Portugal), Shevchenko (Ucrânia), Park Ji-Sung (Coreia do Sul), Cech (República Tcheca), Donovan (Estados Unidos) e Rafa Márquez (México) também participaram da competição.

Dois jogadores que participaram do torneio ainda não eram os grandes craques que são nos dias de hoje. Lionel Messi tinha apenas 18 anos na época e chegou ao Mundial com status de promessa. Entretanto, não ganhou tantas chances e acabou ficando mais tempo na reserva do que em campo. Seu único gol foi na primeira fase, na goleada da Argentina sobre Sérvia e Montenegro, por 6 a 0. O outro jogador é Cristiano Ronaldo, que chegou ao Mundial com 21 anos, foi titular em sua melhor campanha em Copas. Além de jogar, CR7 marcou seu primeiro gol em Mundiais, na partida contra o Irã. 

Assim como as rivais, o Brasil também foi para o mundial com um time repleto de craques, considerado o último esquadrão da seleção em Copas. Há quem lembre com saudade da época em que o time verde-amarelo tinha tantos craques. Dida era o goleiro, acompanhado por Roberto Carlos e Cafu nas laterais. O destaque, entretanto, estava no ataque, onde o Brasil tinha o “quadrado mágico”, formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Além disso, Robinho, que tinha 22 anos, era considerado o quinto integrante do grupo. Apesar das altas expectativas criadas, o grupo não rendeu o esperado dentro do torneio e caiu contra a França. Curiosamente, a derrota para a França acabou sendo a última partida de Ronaldo, Ronaldinho e Adriano em Copas do Mundo.

A partida das oitavas de final entre Holanda e Portugal entrou para a história das Copas como o confronto mais violento da história dos mundiais. Apelidada de “Batalha de Nuremberg”, a partida terminou com a vitória portuguesa por 1 a 0. Mas o principal ponto da partida foi a quantidade de cartões distribuídos. Ao todo, foram dados 16 amarelos e quatro vermelhos. Os portugueses Costinha e Deco e os holandeses Boulahrouz e Van Bronckhorst foram os jogadores expulsos da partida.

Realizada na Alemanha, a Copa de 2006 foi a última com sede em um país da Europa Ocidental. Nas tentativas da Fifa de globalizar o futebol, os torneios seguintes rodaram por diversos continentes. Em 2010, a África do Sul recebeu o mundial, enquanto em 2014 o Brasil foi o país-sede. Já em 2018, o Mundial voltou para a Europa, mas em um país que se contrapõe ao chamado mundo ocidental: a Rússia. Neste ano, o Qatar será sede da segunda Copa realizada na Ásia, a primeira no Oriente Médio.


Fonte: Jovem Pan

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