Presidente do STM minimiza áudios da ditadura: ‘Não estragou a Páscoa de ninguém’

O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministro Luis Carlos Gomes Mattos, criticou nesta terça-feira, 19, durante julgamento do plenário, uma publicação a respeito de áudios gravados na corte durante o período do regime militar, expondo casos de tortura empregada a acusados na corte. Ele minimizou as gravações, dizendo que a divulgação delas “não estragou a Páscoa de ninguém”. “Tenho resposta nenhuma para dar. Simplesmente ignoramos uma notícia tendenciosa daquelas, que nós sabemos o motivo. Aconteceu durante a Páscoa, garanto que não estragou a Páscoa de ninguém, porque a minha não estragou. Eu garanto que não estragou a Páscoa de nenhum de nós. Apenas a gente fica incomodado que, vira e mexe, vem. Não tem nada para buscar. Hoje, vão buscar buscar o passado. Agora só varrem um lado, não varrem o outro. E é sempre  assim, nós já estamos acostumados com isso”, disse Mattos.

Os áudios gravados durante dez anos, entre 1975 e 1985, mostram falas de ministros da corte relatando a forma com que acusados eram torturados. Entre essas formas, marteladas e também choques elétricos nas genitálias, que inclusive foi a causa de um aborto de uma das acusadas que estava grávida de três meses. Segundo o ministro, a publicação que transcreve os áudios é tendenciosa e busca atingir somente um lado da história. “Tivemos alguns comentários contra o nosso Tribunal ou contra a justiça militar de uma maneira geral.  Somos absolutamente transparente nos nossos julgamento. Aquilo ali, a gente já sabe os motivos do porquê que isso vem acontecido agora nesses últimos dias, seguidamente por várias direções, querendo atingir Forças Armadas, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e, sem dúvida, a nós que somos quem cuida da disciplina, hierarquia, que são nossos pilares, nossas forças armadas”, disse.

Em entrevista à Jovem Pan, o general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, afirmou que houve tortura no regime militar e que a prática deve sempre ser considerada imoral. Segundo o Cuz, a sociedade deveria aprender com o seu passado e não usar o assunto como arma política. “Não adianta você evitar falar ou dizer que não aconteceu. Não! Aconteceu. Aconteceu em um ambiente de violência que era novo para a época, quando o Estado não estava preparado bem para aquele tipo de conflito. Quando os seguidores, normalmente jovens, acreditavam, na época, que poderiam tomar o poder através da luta armada. Aquilo que aconteceu de errado você tem que tirar o ensinamento para que não aconteça novamente. Então, quando junta o conceito com os acontecimentos, tem gente que usa isso para exploração política, para desviar a atenção de coisas importantes. Isso não se deve fazer”, opinou Cruz.

*Com informações do repórter Victor Hugo Salina


Fonte: Jovem Pan

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