Por que Lula e Bolsonaro travam uma disputa particular em Minas Gerais

Enquanto polarizam a disputa pela Presidência da República e veem os demais candidatos em um pelotão distante na corrida pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) travam uma disputa particular em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. A pouco mais de quatro meses da eleição, os dois principais postulantes ao principal cargo do país trabalham para consolidar palanques no Estado.

Nesta quinta-feira, 26, Lula se reuniu com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), pré-candidato ao governo do Estado e selou um acordo com o PSD, de Gilberto Kassab, e ainda atraiu para o arco de alianças dos petistas um parlamentar que vinha sendo cotado para assumir a liderança do governo Bolsonaro no Senado. Em Minas, os petistas indicarão o deputado estadual André Quintão, líder da oposição ao governo Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa, para a vice de Kalil, e irão apoiar a candidatura de Alexandre Silveira (PSD) ao Senado – Silveira assumiu a cadeira que era ocupada por Antonio Anastasia, aprovado para o Tribunal de Contas da União, e foi convidado duas vezes para representar o Planalto no Senado. “Se tem algo que destaco sempre é que é imperdoável a incoerência. A partir do momento em que se faz uma aliança, esse é o seu caminho de forma coerente e, sim, estaremos cerrando fileiras. Anda a passos largos [a parceria entre PT e PSD], com o presidente Lula e o candidato Kalil, até porque é o melhor plano nacional”, disse Silveira em entrevista à rádio Super 91,7 FM na segunda-feira, 23.

A campanha de Bolsonaro também olha com carinho para Minas Gerais. O presidente da República já conta com o palanque do senador Carlos Viana, filiado ao seu partido, o PL, mas aliados querem se aproximar do atual governador, Romeu Zema, que lidera as pesquisas. De acordo com o levantamento da Genial/Quaest divulgado no dia 13 de maio, Zema tem 41% das intenções de voto, ante 30% de Kalil. Neste cenário, Viana tem 9%. Na quinta-feira, 26, Bolsonaro fez um aceno ao gestor mineiro, em evento da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). “Já que o governador fez uso desta tribuna… Em time que está ganhando, não se mexe”, disse o chefe do Executivo federal. Nesta sexta-feira, o governador disse que deve “lealdade” ao cientista político Luiz Felipe d’Avila, pré-candidato do Novo à Presidência. Porém, segundo apurou a Jovem Pan, emissários de Bolsonaro entraram em campo, há algumas semanas, para tentar costurar uma aliança ainda no primeiro turno.

Há uma razão para a preocupação com Minas Gerais: desde 1989, o candidato que ganha no Estado, ganha no Brasil. Neste momento, Lula leva vantagem sobre Bolsonaro. De acordo com a Genial/Quaest, o ex-presidente tem 44% das intenções de voto no Estado, ante 28% do atual presidente da República. No cenário de segundo turno, o petista alcança 54%, contra 32% do mandatário do país.


Fonte: Jovem Pan

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