Nova guerra? Violência em Jerusalém aumenta temores de conflito entre Israel e Gaza

Desde o dia 15 de abril, policiais israelenses e manifestantes palestinos têm se enfrentado em Jerusalém. O primeiro confronto aconteceu na Esplanada das Mesquitas onde mais de 150 pessoas ficaram feridas. Os constantes conflitos têm gerado temores sobre um novo surto de violências e já surtiu efeito na política. O partido árabe-israelense Raam –  primeira legenda árabe da história de Israel a respaldar um governo – suspendeu sua participação no governo de coalizão do primeiro-ministro Naftali Bennett. A intensidade dos ataques também chamou atenção da União Europeia, Estados Unidos e a Liga Árabe que demonstraram preocupação. O mediador da ONU para o Leste, Tor Wennesland, pediu uma “diminuição imediata” para “evitar novas provocações dos radicais”. A França pediu “máxima moderação”, enquanto o Catar, que já foi mediador entre Israel e Palestina no passado, expressou sua “forte condenação” ao “ataque aos fiéis” muçulmanos. Em 2021, nessa mesma região, houve uma guerra de 11 dias na Faixa de Gaza entre o grupo radical palestino Hamas e Israel.

Segundo a polícia israelense, a tensão entre os dois povos teve início quando dezenas de jovens encapuzados, de origem palestina e com bandeira do movimento islâmico Hamas, começaram uma procissão pela Esplanada das Mesquitas e atiraram pedras contra o Muro das Lamentações – local mais sagrado do Judaísmo. Em resposta a ação dos manifestantes, as forças de segurança israelenses responderam com balas de borracha e bombas de efeito moral. Esses confrontos na Esplanada são os primeiros a serem registrados este ano durante o mês do Ramadã, um período de jejum e oração em que os palestinos muçulmanos rezam na Mesquita de Al Aqsa, o terceiro lugar sagrado para o Islã. Omar Al Kiswani, diretor da Mesquita Al Aqsa, informa que o local é “uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada” e que houve uma intervenção da polícia israelense no local de culto.  A Esplanada das Mesquitas está localizada na Cidade Velha de Jerusalém, a leste da cidade, ocupada por Israel desde 1967 e que os palestinos reivindicam como capital de um futuro Estado.

 

Na segunda-feira, 18, o conflito teve mais um episódio. Um foguete foi disparado da Faixa de Gaza para Israel. Entretanto, foi interceptado pelos sistemas de defesa israelenses, segundo o exército. “As sirenes ressoaram na área ao redor da Faixa de Gaza. Um foguete foi disparado da Faixa de Gaza em direção ao território israelense. Apesar das declarações, nenhum grupo reivindicou o disparo. O foguete foi interceptado pelo sistema de defesa Domo de Ferro”, explicou o exército em um comunicado. Pela manhã, Israel também fez ofensivas, eles afirmam terem bombardeado um suposto depósito de armas Hamas. Durante esses quatro dias de confronto, pelo menos 170 pessoas já ficaram feridas, em sua maioria manifestantes palestinos.

Incidentes como esses costumam ocorrer quando a missa cristã da Páscoa, as orações para Pessah, a Páscoa judaica, e Ramadã – todos realizados na Cidade Antiga de Jerusalém – coincidem, como foi neste domingo, 17, em que foi registrado mais um confronto que deixou 20 pessoas feridas. Desde a captura e posterior anexação de Jerusalém Oriental por Israel em 1967, não reconhecida pela comunidade internacional, os judeus podem entrar na Esplanada em determinados momentos, mas não rezar nela. A Jordânia – país que administra a Esplanada das Mesquitas – culpa Israel pela nova escalada da violência. No domingo, o partido árabe-israelense Raam suspendeu sua participação no governo de coalizão do primeiro-ministro Naftali Bennett, e fez com que governo fosse posto à prova, uma vez que tenta manter sua coalizão no poder ao mesmo tempo em que enfrenta uma rebelião de deputados conservadores e parlamentares árabes ameaçando retirar seu apoio, devido à escalada de tensões em Jerusalém. No início de abril, a coalizão perdeu a maioria com a saída do parlamentar da direita radical Idit Silman, enquanto outro parlamentar conservador, Amichai Chikli, ameaçou retirar seu apoio do governo. 

*Com informações da AFP


Fonte: Jovem Pan

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