Frias rebate acusações de censura na Cultura: ‘Faça um projeto legal e ele será aprovado’

Nesta terça-feira, 11, o programa Morning Show, da Jovem Pan, recebeu Mario Frias, da Secretaria Especial da Cultura. Em entrevista, o ex-ator falou sobre os métodos usados para aprovação de projetos em sua estadia na pasta. “Minha gestão não tem fila VIP, é feita para a população. Ninguém é VIP, nem direita e nem esquerda. Entre na fila, faça um projeto legal e ele será aprovado. O que está errado é fazer política com recurso público. Faça política com o seu dinheiro, banque seu palanque. Ficar do alto de seus milhões, dos quais parte disso já utilizou recurso, e ficar usando palanque para agredir o governo atual… Onde estavam nos últimos 30 anos?”, questiona, em relação aos governos anteriores. “Não falavam de corrupção, prisão de ministro, presidente preso. Um governo que fala de transparência e combate à corrupção tem que bater palminhas para palhaçadas em show bancado pelo dinheiro público?”

O secretário da Cultura ainda falou sobre as diferenças entre os editais da pasta e as especificações da Lei Rouanet. “A análise nossa tem que ser absolutamente técnica. Se cabe, se o orçamento está correto. Não é responsabilidade do gestor definir o colorido da política pública. Nessa área dos editais, a gente tem o fomento direto, a gente pode definir linhas editoriais. Na Lei Rouanet, a gente não pode.” Segundo Frias, não existe censura na escolha de projetos. “Não somos um governo ditador. Eu vejo diariamente o avanço agressivo em cima das liberdades individuais, não concordo e não poderia fazer isso em cima da minha pasta. Toda manifestação cultural é válida, não importa se é de esquerda ou de direita. É diferente do que a Ivete Sangalo, José de Abreu e Wagner Moura fazem. Você pega dinheiro público para fazer palanque político e ideológico, isso foi feito durante décadas.”

Recentemente, a cantora Ivete Sangalo puxou um coro contra o governo de Jair Bolsonaro em show no Rio Grande do Norte. Mario Frias criticou o posicionamento da cantora e disse que ela não tinha a mesma postura em governos antecessores. “Eu não ataquei a Ivete, apenas falei de uma corrente que dizia que ela não tinha recursos, ela obteve e eu tenho provas. Acho interessante raciocinar, não tenho nada contra, conheço pessoalmente e sou um fã dela, mas é interessante perceber o silêncio dela e de outros grandes artistas, independente de terem usufruído ou não do recurso da lei, durante os governos das últimas décadas”, disse. “Óbvio que quem vai em um show e puxa um coro do nível que ela puxou está querendo atenção, ou ela pensou que ninguém iria filmar aquilo? Essa é a questão que me incomoda.”


Fonte: Jovem Pan