Explosão solar em direção à Terra: nada a temer!

*Este texto foi escrito por uma colunista do TecMundo; saiba mais no final.

O sol, como outras estrelas, possui ciclos de atividade. Para o nosso caso chamamos de ciclo solar e tem um período de aproximadamente 11 anos. Isso significa que em 11 anos o Sol varia sua atividade magnética. Próximo do pico de atividade solar, a direção do seu campo magnético inverte os polos.

Como podemos saber isso? Com o número de manchas e explosões solares

À medida que o Sol fica mais ativo, o número de manchas solares aumenta gradativamente. E, em associação, as explosões solares também aumentam. E como o Sol é o objeto mais extensivamente estudado na história da astronomia, temos dados do número de manchas solares regularmente acompanhadas desde o século 17.

Manchas solares são eventos temporais que aparentam ser mais escuros que as regiões ao redor, como na imagem abaixo. Essa aparência mais escura é devido ao fato de essas regiões serem levemente mais frias que as áreas ao redor. Mas não se enganem, esses locais ainda carregam temperaturas elevadíssimas, em torno de 2700 – 4200 graus Celsius nas regiões mais escuras, chamadas de umbra.

As manchas solares são manifestações do campo magnético. Nessas regiões, o campo é tão forte que impede que material chegue à superfície.

Manchas solares datadas de Julho de 2012. A maior mancha, no canto inferior esquerda, possui o tamanho correspondente a 11 Terras, aproximadamenteFonte:  Wikipedia 

Já as explosões solares são outra manifestação dos campos eletromagnéticos. Nesse caso, o campo se rompe momentariamente, ejetando material. Muitas vezes esse material vem em direção à Terra. Mas não há motivo para pânico. Quando isso acontece, temos a formação das belíssimas auroras boreais. Basicamente, o material que é ejetado pelo Sol interage com a atmosfera e o campo eletromagnético terreste. Como esse material está cheio de partículas carregadas, essas particulas afetam nossa atmosfera. Essa relação ioniza gases e libera luzes naturais dignas de cinema. Uma ilustração explicativa pode ser vista no vídeo abaixo.

Com o aumento da atividade solar, mais e mais explosões acontecem. Nas últimas semanas o Sol teve em torno de 17 explosões solares. Na última quinta-feira aconteceu uma das explosões solares mais fortes que temos conhecimento. A massa ejetada pelo Sol viaja rapidamente e interage com a atmosfera da Terra. Essa interação pode afetar os meios de comunicação daqui por alguns minutos, de acordo com o Met Office, centro meteorologista nacional do Reino Unido, causando blackouts temporários.

Apesar dos possíveis blackouts, um dos resultados prometidos pela ejeção de massa solar são as auroras boreais, como amplamente registradas no dia 02 de Abril de 2022.

Auroras boreais registradas na Nova Escócia, dia 31 de Março de 2022.Auroras boreais registradas na Nova Escócia, dia 31 de Março de 2022.Fonte:  APOD 

Com o Sol estando ativo novamente, os planos para observação de auroras podem ser feitos com mais segurança! Infelizmente para nós no Brasil, a viagem é longa. Mas certamente vale a pena.

Camila de Sá Freitas, colunista do TecMundo, é bacharel e mestre em astronomia. Atualmente é doutoranda no Observatório Europeu do Sul (Alemanha). Autointulada Legista de Galáxias, investiga cenários evolutivos para galáxias e possíveis alterações na fabricação de estrelas. Está presente nas redes sociais como @astronomacamila.

Veja a postagem original em: TecMundo

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