Em ato com motoqueiros, Bolsonaro ataca governadores: ‘Tentativa de início de ditadura’

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã deste domingo, 23, de um grande ato com motociclistas no Rio de Janeiro, batizado de “motociata”. Ele saiu por volta das 10 horas da região do Parque Olímpico e se encontrou com um segundo grupo de apoiadores que o aguardava no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo. Segundo os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram do ato.

Em um carro de som, ao final do passeio de moto, ao lado do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, Bolsonaro voltou a atacar prefeitos e governadores pelas medidas restritivas impostas à população durante a pandemia de covid-19. “Muitos governadores e prefeitos simplesmente ignoraram a grande maioria da população brasileira e, sem qualquer comprovação científica, decretaram lockdown, confinamento e toque de recolher. Hoje vocês sabem o que é uma democracia e o que é uma tentativa de início de ditadura patrocinada por esses governadores”, afirmou. 

“Nós estamos prontos, se preciso for, para tomar todas as medidas necessárias para garantir a liberdade de vocês. É inadmissível quando um Poder usurpa direitos e garantias individuais”, prosseguiu Bolsonaro. “Nós temos o sagrado direito de ir e vir, o direito de trabalhar, o direito de professar a nossa fé. Esses direitos não podem ser usurpados. […] O meu Exército brasileiro jamais irá às ruas para manter vocês dentro de casa.”

O presidente também afirmou que não ameaçará nenhum outro Poder e pretende atuar dentro dos limites de suas atribuições. “Acima de nós e dos três Poderes, está o primeiríssimo poder, que é o povo brasileiro”, afirmou. “Nós faremos tudo para que a vontade popular seja realmente efetivada. Estamos no final de uma pandemia, se Deus quiser. Espero que brevemente cheguemos à normalidade.”

O ‘poste’ de Lula

Sem citar o nome do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, Bolsonaro afirmou que o país estaria em uma situação muito pior caso o petista tivesse vencido as eleições de 2018. “Imaginem se o poste [de Lula] tivesse sido eleito presidente da República. Como estaria o nosso Brasil no dia de hoje”, ironizou, em referência a Haddad. 

“Lamento cada morte no Brasil. Não importa a motivação da mesma., Mas nós temos que ser fortes, temos que enfrentar o desafio. Nós temos que viver e sobreviver”, continuou Bolsonaro. “Estamos ainda em um momento difícil, mas se Deus quiser logo ele passará. Nós temos que viver, ter alegrias também, ter ambições e ter esperança.”

A ‘motociata’

A manifestação em apoio a Bolsonaro percorreu ruas das zonas oeste e sul da capital fluminense, em um trajeto aproximado de 35 quilômetros. Um efetivo de cerca de mil policiais militares de mais de 20 unidades da corporação foi mobilizado para acompanhar a manifestação.

Na metade do percurso, após cerca de 20 minutos do ato, Bolsonaro parou a moto para conversar com os apoiadores. Ele recebeu camisetas de alguns motoqueiros, que entoaram gritos de apoio ao presidente e contra a esquerda e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, que pode ser seu adversário nas eleições de 2022. Após cerca de dez minutos, o trajeto foi retomado até o Aterro do Flamengo, onde Bolsonaro tirou várias fotos com os simpatizantes.

Este não foi o primeiro ato com motociclistas do qual Bolsonaro participou. No início de maio, o presidente circulou com cerca de 3 mil motos e carros pelas ruas de Brasília, também uma manifestação de apoio ao seu governo.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, acompanhou Bolsonaro no ato com os motoqueiros. Parlamentares também estiveram presentes, como o deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP), que subiu no carro de som com o presidente, assim como Pazuello. Alguns artistas que apoiam o presidente também estiveram na manifestação. Segundo a assessoria da Presidência da República, Bolsonaro retorna para Brasília ainda neste domingo.

Veja alguns vídeos do ato de Bolsonaro com os motociclistas:

Fonte: Revista Oeste