Dólar vai a R$ 5,71 com sinalização de alta nos juros dos EUA e risco fiscal; Bolsa cai 2,4%

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo negativo nesta quarta-feira, 5, após o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, sinalizar que pode acelerar a alta dos juros nos próximos meses. No cenário local, pesou o aumento da percepção do risco fiscal com a pressão de diversas categorias do funcionalismo público federal por reajustes salariais. Depois de operar em queda a maior parte do dia, o dólar inverteu por volta das 16h e fechou com alta de 0,4%, cotado a R$ 5,712. Esta foi a terceira sessão seguida de valorização da moeda-norte americana, que chegou a bater a máxima de R$ 5,713, e mínima de R$ 5,643. O câmbio encerrou a véspera com alta de 0,5%, a R$ 5,690. A decisão do Fed aprofundou a queda do Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, que encerrou o dia com forte queda de 2,4%, aos 101.005 pontos. Este é o pior patamar do pregão desde 1º de dezembro, quando fechou aos 100.900 pontos. O Ibovespa encerrou na terça-feira com recuo de 0,4%, aos 103.513 pontos.

O BC dos EUA indicou que a alta dos juros prevista para este ano pode ocorrer em um ritmo mais acelerado do que o esperado, segundo a ata do encontro do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) realizado em dezembro. Atualmente o Fed mantém a taxa de juros entre 0% e 0,25%. No fim de 2021, a autarquia anunciou a redução da compra de títulos públicos em meio ao avanço da inflação em todo o mundo. A mudança na política monetária tende a atrair mais investidores para o Tesouro dos EUA, considerado um dos ativos mais seguros do mundo. Ainda na pauta internacional, investidores seguem acompanhando a evolução dos números da variante Ômicron ao redor do globo. Os EUA registraram nesta terça-feira mais de 1 milhão de casos de Covid-19 em 24 horas, batendo o recorde mundial diário de infecções. Apesar de o número de internações e mortes não ter dado sinais de disparada, o quadro de infecções levou à suspensão de voos em diversas partes do mundo e adoção de medidas de restrição em parte da Europa.

No cenário doméstico, as atenções se voltaram para as mobilizações de diversas categorias do serviço público federal por reajustes salariais após o governo ter concedido aumento para servidores da segurança pública. Caso as demandas sejam atendidas, a União vai precisar romper o teto de gastos — a principal âncora fiscal da economia brasileira —, o que deve levar ao aumento da percepção de descontrole dos gastos públicos às vésperas da eleição. Em caráter reservado, auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmaram à Jovem Pan que o presidente Jair Bolsonaro (PL) sabia dos riscos de mobilização generalizada ao autorizar o reajuste apenas dos servidores da segurança. Apesar das críticas, a equipe econômica vê na mobilização do funcionalismo uma “brecha” para pressionar o Congresso a aprovar a reforma administrativa em 2022. A questão, no entanto, é rechaçada por parlamentares da base aliada do governo e da oposição.


Fonte: Jovem Pan