Dólar tem instabilidade com repercussão de juros nos EUA e risco fiscal; Bolsa sobe

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam nesta quinta-feira, 6, com investidores repercutindo o tom duro do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, sobre mudanças na política de juros. No cenário doméstico, o humor é pressionado pelos movimentos grevistas de entidades da administração federal e pela iminente quebra do teto de gastos caso o governo atenda aos pedidos. Após alternar sinais durante a maior parte da manhã, por volta das 13h25, o dólar operava com queda de 0,24%, a R$ 5,699. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,725, enquanto a mínima não passou de R$ 5,688. A divisa norte-americana encerrou a sessão da véspera com alta de 0,4%, cotada a R$ 5,712, no terceiro dia seguido de avanço. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, registrava alta de 0,77%, aos 101.787 pontos. O pregão desta quarta-feira, 5, fechou com forte queda de 2,4%, aos 101.005 pontos, o pior patamar desde 1º de dezembro, quando fechou aos 100.900 pontos.

O Fed indicou que a alta dos juros prevista para este ano pode ocorrer em um ritmo mais acelerado do que o esperado, segundo a ata do encontro do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) realizado em dezembro e divulgada nesta quarta-feira. O tom mais duro do que as últimas divulgações da autarquia mexeu com os mercados em todo o mundo, principalmente após a mudança do discurso no fim do ano passado sobre o aumento da inflação não ser um fenômeno transitório. Atualmente, o Fed mantém a taxa de juros entre 0% e 0,25%. No fim de 2021, a autarquia anunciou a redução da compra de títulos públicos em meio ao avanço da variação de preços, principalmente da energia e dos alimentos.

Na cena local, investidores seguem acompanhando as mobilizações de diversas categorias do serviço público federal por reajustes salariais após o governo ter concedido aumento para servidores da segurança pública. Caso as demandas sejam atendidas, a União vai precisar romper o teto de gastos — a principal âncora fiscal da economia brasileira —, o que deve levar ao aumento da percepção de descontrole dos gastos públicos às vésperas da eleição. Também na pauta doméstica, dados do IBGE divulgados nesta manhã mostraram que a produção da indústria retraiu 0,2% em novembro, o sexto mês seguido de desempenho negativo. Na comparação com o mesmo mês de 2020, o tombo foi de 4,4%. O desempenho reforça os desafios ao setor em meio à falta global de insumos nas linhas de produção, a escalada da inflação e o aumento dos juros domésticos.


Fonte: Jovem Pan

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