Dólar recua com sinal de aceleração de juros nos EUA e risco fiscal; Bolsa sobe

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo positivo nesta quinta-feira, 6, com a atenção dos investidores na ata do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, que indicou a aceleração no ritmo de alta dos juros. No noticiário doméstico, mais uma vez o clima foi pressionado pelos movimentos grevistas de entidades da administração federal e pela iminente quebra do teto de gastos caso o governo atenda aos pedidos. Depois de alternar sinais durante a maior parte da manhã, o dólar se firmou em queda e fechou com desvalorização de 0,56%, cotado a R$ 5,679 — o primeiro resultado positivo para o real em 2022. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,725, enquanto a mínima não passou de R$ 5,672. A divisa norte-americana encerrou a véspera com alta de 0,4%, cotada a R$ 5,712. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, também teve o primeiro dia positivo no novo ano. O pregão fechou com avanço de 0,55%, aos 101.561 pontos. A B3 encerrou esta quarta-feira, 5, com forte queda de 2,4%, aos 101.005 pontos.

O Fed indicou que a alta dos juros prevista para este ano pode ocorrer em um ritmo mais forte do que o esperado, segundo a ata do encontro do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) realizado em dezembro e divulgada nesta quarta-feira. O tom mais duro do que as últimas divulgações da autarquia mexeu com os mercados em todo o mundo, principalmente após a mudança do discurso no fim do ano passado sobre o aumento da inflação não ser um fenômeno transitório. Atualmente, o Fed mantém a taxa de juros entre 0% e 0,25%. No fim de 2021, a autarquia anunciou a redução da compra de títulos públicos em meio ao avanço da variação de preços, principalmente da energia e dos alimentos.

Na cena local, investidores seguem acompanhando as mobilizações de diversas categorias do serviço público federal por reajustes salariais após o governo ter concedido aumento para servidores da segurança pública. Caso as demandas sejam atendidas, a União vai precisar romper o teto de gastos — a principal âncora fiscal da economia brasileira —, o que deve levar ao aumento da percepção de descontrole dos gastos públicos às vésperas da eleição. Também na pauta doméstica, dados do IBGE divulgados nesta manhã mostraram que a produção da indústria retraiu 0,2% em novembro, o sexto mês seguido de desempenho negativo. Na comparação com o mesmo mês de 2020, o tombo foi de 4,4%. O desempenho reforça os desafios ao setor em meio à falta global de insumos nas linhas de produção, a escalada da inflação e o aumento dos juros domésticos.


Fonte: Jovem Pan