Dois pacientes com mais de 60 anos ficam livres do vírus HIV

Novos dados sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV) afirmam que um homem norte-americano, de 66 anos, e uma cidadã da Espanha, de 70 anos, ficaram livres do vírus causador da Aids. Os resultados sobre os estudos serão usados para entender como os cientistas podem desenvolver a cura para outras pessoas.

O homem deixou de realizar terapia com antirretrovirais em março de 2021, após receber um transplante de células-tronco com uma mutação genética rara que bloqueia o vírus. Inclusive, as informações sobre o caso serão apresentadas nesta sexta-feira (29) em uma conferência internacional sobre Aids em Montreal, no Canadá.

O paciente foi infectado em 1988 e é considerado a pessoa mais velha a ficar livre do HIV após realizar o procedimento — até agora, cinco pessoas já foram beneficiadas pelo método. Segundo a médica Jana Dickter, responsável pelo tratamento do homem no centro clínico City of Hope, em Los Angeles, ele viu seus amigos e entes queridos adoecerem e falecerem por conta da doença.

Os médicos responsáveis pelo tratamento do homem afirmam que não encontraram o vírus em seu corpo.Fonte:  Shutterstock 

“[O sucesso do caso] abre a oportunidade potencialmente para pacientes mais velhos se submeterem a esse procedimento e entrarem em remissão tanto do câncer no sangue quanto do HIV”, disse Dickter ao The Wall Street Journal.

Cura funcional

Já o caso da mulher de 70 anos é diferente, pois ela descobriu a infecção aos 59 anos de idade. Pouco após a descoberta, durante nove meses, a paciente participou de um ensaio clínico para receber medicamentos antirretrovirais e terapias para aumentar seu sistema imunológico. Após 15 anos, eles descobriram que ela atingiu uma “cura funcional” do HIV, apesar de ainda possuir o vírus adormecido em algumas células do corpo.

Pesquisadores da Clínica Hospitalar do Instituto de Pesquisa Biomédica August Pi i Sunyer, em Barcelona, descobriram que ela mantém os níveis de HIV sob controle por conta dos altos níveis de dois tipos de células que suprimem e ajudam a controlar a replicação do vírus — o caso também será apresentado na conferência no Canadá.

Segundo a diretora do instituto de pesquisa Peter Doherty Institute for Infection and Immunity, Sharon Lewin, ambos os casos são importantes para a comunidade científica entender mais sobre a cura do HIV. De qualquer, os médicos ainda estão entendendo os casos e preferem não afirmar que eles foram “curados” até entenderem melhor os dados.

Veja a postagem original em: TecMundo

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