‘Deltacron’ é real? O que se sabe sobre a possível nova variante?

Depois que um professor de ciências biológicas da Universidade do Chipre divulgou, no sábado (8), o que chamou de “deltacron”, uma possível convergência da assinatura genética da variante ômicron do coronavírus dentro de genomas da variante delta, a comunidade científica internacional encontra-se perplexa e, ao mesmo tempo, cautelosa. Estaríamos diante de uma nova variante do vírus, ou tudo não passa de um erro de processamento do laboratório?

A Bloomberg noticiou, no sábado (8), que um professor cipriota chamado Leondios Kostrikis afirmou ter descoberto 25 casos de mutação do coronavírus. Em entrevista à Sigma TV, no dia anterior, o pesquisador revelou que “Atualmente existem coinfecções ômicron e delta, e encontramos essa cepa que é uma combinação dessas duas”. No mesmo dia, as amostras foram enviadas ao Gisaid, um banco de dados que rastreia mutações do coronavírus.

A divulgação da reportagem deu início a uma pequena comoção nas redes sociais, com o termo “deltacron” chegando aos trending topics. O que as pessoas temem é que uma possível recombinação genética da altamente transmissível ômicron com a mortal delta possa causar uma tragédia sem precedentes no cenário da pandemia. Mas logo os especialistas entraram em cena, afirmando que talvez o quadro não seja exatamente o que foi transmitido.

O que dizem os especialistas?

Um dos mais conhecidos pesquisadores do coronavírus, o virologista Tom Peacock, do Imperial College London, usou sua conta no Twitter para afirmar que “as sequências cipriotas ‘deltacron’ relatadas por vários grandes meios de comunicação parecem ser claramente contaminação”. Sobre uma suposta recombinação, explicou: “muitos de nós demos uma olhada nas sequências e chegamos à mesma conclusão que não parece um recombinante real.”

A maior autoridade em covid-19 da Organização Mundial de Saude (OMS), Krutika Kuppalli, também foi ao Twitter para esclarecer que, no caso da deltracron, houve provavelmente uma “contaminação de laboratório de fragmentos de ômicron em um espécime delta”. Em outro tweet, a médica chega a ironizar o assunto, afirmando: “Não vamos misturar nomes de doenças infecciosas, e deixar isso para casais de celebridades.”

O que se percebe é que, embora Kostrikis assegure que suas descobertas não constituem “erro técnico”, muitos especialistas renomados duvidam dos resultados divulgados. Ou seja, até que análises provem o contrário, não há motivo para preocupações.

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