Coordenador da bancada de deputados da Bahia diz que Estado precisa de R$ 2 bi para reconstruir cidades

Deputados federais da bancada baiana se reuniram com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), na última terça-feira, 28, para discutir como a Casa pode colaborar com a resolução da tragédia no Estado, ocasionada por fortes chuvas e enchentes. Nesta quarta, o coordenador do grupo, o deputado Marcelo Nilo (PSB-BA) concedeu uma entrevista ao vivo ao Jornal da Manhã, na Jovem Pan News, para comentar as discussões feitas, as medidas que serão adotadas e a verba que deve ser destinada. Segundo Nilo, o presidente da Câmara determinou que seja feito todo o possível, inclusive desburocratizando processos, para ajudar a região e as vítimas das enchentes. Ele disse que a Bahia vai precisar receber R$ 2 bilhões, a médio e longo prazo, para reconstruir as 72 cidades atingidas pelas enchentes. Nilo ainda destacou que a situação que ocorreu no Estado foi provocado pelo rompimento de barragens privadas, e não públicas, e que isso demonstra a necessidade de parlamentares fazerem um planejamento ambiental e para a área hídrica que afeta também as barragens de empresas privadas nessas regiões.

“Tivemos uma reunião, na minha visão, muito proveitosa com o presidente Arthur Lira. Relatamos a ele as grandes dificuldades que o povo da Bahia está passando. Ele é nordestino, conhece o sofrimento do Nordeste e se prontificou, independente de conotação partidária, foram vários partidos da base do governo, na base da oposição, e chegamos a uma conclusão: nós necessitamos de recursos. Esse recurso de R$ 200 milhões que serão enviados através da medida provisória são insuficientes. Nós temos que ter, no mínimo, R$ 2 bilhões a curto, médio e longo prazo. Primeiro, os R$ 200 milhões são importantes para salvar vidas. Agora, a segunda etapa é recuperar as 73 cidades afetadas por essas enchentes. É óbvio que tem que ser a médio prazo. O governo do Estado e o governo federal se uniram, fizeram uma força tarefa única na cidade de Ilhéus, e estamos trabalhando unidos. E o presidente Arthur Lira deixou muito claro que o que depender do Congresso, da desburocratização, nós faremos tudo que estiver ao alcance do Congresso, palavra do presidente Arthur Lira, para ajudar o povo da Bahia. Não só a Bahia, já outros Estados tão afetados, mas a Bahia, são 21 mortes, 73 cidades atingidas, mais de 358 feridos, uma tragédia”, contou Nilo.

“O presidente Arthur Lira levantou uma discussão política, colocar um fundo para tragédia. Aquele recurso ficava parado. A tragédia não alcança a Lei de Responsabilidade Fiscal. O que ocorre é que todos os presidentes, sem exceção, colocam recursos X para as tragédias, mas o relator do orçamento, o primeiro recurso que ele tira do orçamento, é o da tragédia, porque, naquele momento, não está tendo tragédia e não tem pressão da imprensa. Ele tira da tragédia porque é mais fácil. Agora, quando vem a tragédia, que a imprensa levanta, aí se fala em recurso. R$ 200 milhões são importantes, mas são muito pouco”, disse o parlamentar.

O deputado explicou que o maior problema natural enfrentado na Bahia costuma ser a seca e que, para evitá-la e suas consequências, homens do campo costumam fazer suas próprias barragens, para reter água, sem muitas vezes planejamento ou o trabalho de um engenheiro – ficando vulneráveis a fortes chuvas, como o ocorrido. “Dois terços do nosso território pertence ao semiárido. Então, grande parte do povo da Bahia, às 17 horas fica olhando para o céu, para saber se São Pedro vai ser generoso e mandar chuva. Geralmente, nós sofremos com a seca. As barragens que foram rompidas são privadas. Eu não tenho nenhum conhecimento de barragem pública que tenha rompido. O grande problema que nós temos é a seca. Todos os fazendeiros, as pessoas da zona rural, fazem barragens. E falta de recursos, falta de planejamento, quando veio uma enchente, começou a romper uma primeira barragem, rompeu a segunda, rompeu a terceira e aí foi a inundação. A Bahia tem muitos rios nessa região e as enchentes ocorreram nas cidades que são banhadas por rio. É possível fazer um planejamento, mas se com recursos públicos, quando é privado, infelizmente nós não temos condições de fiscalizar as barragens”, disse.

“Você planeja o público, você planeja quando ocorre no público, mas no privado pode planejar, pode, mas é mais difícil. O fazendeiro, o homem da zona rural, vê seu gado morrendo, vê sua plantação morrendo, vai fazer sua barragem, e não tem recurso, nem planejamento. Às vezes, fazem barragem com trator, sem nenhum critério, sem nenhum estudo com planejamento por parte de um engenheiro. Aí a primeira estoura, a segunda rompe, a terceira rompe e vem essa enxurrada. Foram oito barragens envolvidas numa manhã só. Consequentemente, ocorreu essa grande tragédia na Bahia. Infelizmente, nós homens públicos estamos devendo o planejamento na área ambiental, estamos devendo um planejamento na área hídrica“, destacou Nilo.

Marcelo Nilo ainda comentou o fato de o presidente Jair Bolsonaro (PL) tirar férias neste momento e não estar presente, comandando as ações do governo federal. No lugar dele, o ministro João Roma (Cidadania) tem conduzido as tarefas e se aliado ao governador do Estado, Rui Costa (PT) para salvar vidas e reduzir os riscos. “Eu acho que cidadão é que deve julgar. Tem uma enchente, o povo morrendo, 73 cidades atingidas e o presidente de férias… Eu estou de férias, estou de recesso do trabalho. Mas eu convoquei os parlamentares, 19 foram a Brasília. Tivemos a reunião com o presidente Lira porque é uma emergência. O povo é que vai julgar. Não é fácil ver o cidadão saindo de casa com a água do pescoço e só salvou os documentos e, na outra imagem, está o presidente da República do país viajando, passeando em jet ski. Ficamos chocados, mas é uma decisão dele. Ele foi eleito pelo povo. O cidadão é que deve julgar”, opinou. “Quando nós tivemos 95% das inundações, naquele período, infelizmente, o presidente não veio. Não estou julgando o presidente. Ele tem direito de ter férias, tem direito de fazer o que ele achar que deve, na sua visão. Respeito. Cada cidadão é que julga o ato do político”.


Fonte: Jovem Pan