Cientistas encontram crânio da primeira criatura gigante marinha da Terra

Em um artigo publicado em dezembro de 2021 na revista Science, o Museu de História Natural de Los Angeles anunciou a descoberta do que pode ter sido o primeiro animal gigante marinho do planeta. 

A apresentação de um crânio com dois metros de comprimento, pertencente a uma espécie de ictiossauros gigantes recém-descoberta, não apenas abre um campo de pesquisa sobre o crescimento dos répteis marinhos como pode ajudar no estudo dos modernos cetáceos.

No tempo em que dinossauros dominavam a Terra, esses ictiossauros e outros répteis aquáticos (que certamente não pertencem ao clado Dinosauria) governavam inteiramente os mares e oceanos, com tamanhos proporcionais aos seus “colegas” terrestres. Desenvolvendo nadadeiras e formas hidrodinâmicas hoje presentes tanto em peixes quanto em baleias, esses répteis marinhos nadaram por um período semelhante ao que os dinossauros caminharam.

Apesar disso, eles “derivam de um grupo de répteis terrestres ainda desconhecido, e respiravam ar”, explica o principal autor do estudo realizado, o paleontólogo Martin Sander, da Universidade de Bonn (Alemanha). Segundo o pesquisador, as primeiras descobertas desses “peixes-sáurios” ocorreram na Inglaterra e na Alemanha muito antes de os dinossauros serem conhecidos pela ciência.

Imagem compara o tamanho do extinto ictiossauro gigante com o das atuais baleias e dos seres humanos (créditos: ilustração de Stephanie Abramowicz, cortesia do Natural History Museum of Los Angeles County)Fonte:  Stephanie Abramowicz/Natural History Museum of Los Angeles County 

Primeira criatura gigante a habitar a Terra

Desenterrado em uma formação rochosa chamada Fossil Hill, nas montanhas Augusta, uma pequena cordilheira no estado de Nevada, nos EUA, o crânio bem preservado do ictiossauro foi encontrado junto com parte da espinha dorsal, ombro e membros dianteiros do animal. Os ossos datam do período Triássico Médio (entre 247,2 e 237 milhões de anos) e revelam dimensões parecidas com as de um cachalote moderno: cerca de 17 metros.

Voluntária do Natural History Museum of Los Angeles County deitada ao lado do crânio do extinto ictiossauro gigante (créditos: foto de Martin Sander, cortesia do the Natural History Museum of Los Angeles County)Voluntária do Natural History Museum of Los Angeles County deitada ao lado do crânio do extinto ictiossauro gigante (créditos: foto de Martin Sander, cortesia do the Natural History Museum of Los Angeles County)Fonte:  Martin Sander/Natural History Museum of Los Angeles County 

Considerado a primeira criatura viva gigante a habitar a Terra, o ictiossauro foi batizado como Cymbospondylus youngorum em homenagem aos proprietários da Cervejaria Great Basin, Tom e Bonda Young, que patrocinaram o trabalho de campo da pesquisa.

Coautor do estudo, o professor Lars Schmitz, do Scripps College de Claremont, nos EUA, destaca a natureza integrativa da abordagem realizada. Primeiramente, descrevendo a anatomia do crânio gigante para relacionar o animal aos demais ictiossauros e, posteriormente, “entender o significado da nova descoberta no contexto do padrão evolutivo em grande escala do tamanho do ictiossauro e do corpo das baleias”.

O estudo concluiu que, embora ictiossauros e cetáceos tenham desenvolvido tamanhos corporais gigantescos, os primeiros podem ter se beneficiado da abundância de conodontes pelágios e amonites, semelhantes às atuais enguias e lulas, ao passo que os cetáceos seguiram outros rumos, mas também relacionados à forma de se alimentar (especialização trófica). E, apesar de não terem convivido, desenvolveram formas corporais convergentes.

ARTIGO Science: doi.org/10.1126/science.abf5787

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