Brasileiro ajuda a descobrir 1º buraco negro adormecido fora da Via Láctea

Um buraco negro improvável, de massa estelar e “adormecido”, foi detectado pela primeira vez por uma equipe internacional de cientistas na região da Nebulosa da Tarântula, próxima à Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha à nossa Via Láctea.

Publicado na semana passada (18) na revista Nature Astronomy, o estudo tem como primeiro autor um brasileiro: Leonardo Almeida, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Professor de Física da UFRN, Almeida teve a missão de analisar 51 sistemas binários espectroscópicos de linha única, do projeto “Tarantula Massive Binary Monitoring”. Trata-se do resultado de seis anos de observação com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Austral (ESO), no Chile, para detectar esse novo tipo de buraco negro, há muito tempo difícil de detectar. 

Ilustração mostra representação do sistema VFTS 243Fonte:  ESO/L. Calçada 

Ao cientista brasileiro, coube o trabalho de “filtrar” todos os dados obtidos pela equipe do professor Hugues Sana, analisar a variabilidade e fazer a caracterização orbital do sistema. O objetivo foi caracterizar a componente invisível dos 51 sistemas, dos quais apenas um – o chamado VFTS 243 – não apresentou nenhuma assinatura com sinais eletromagnéticos.

Buracos negros adormecidos

Nebulosa da Tarântula (Fonte: ESO/Twitter/Divulgação.)Nebulosa da Tarântula (Fonte: ESO/Twitter/Divulgação.)Fonte:  ESO/Twitter 

Os chamados buracos negros de massa estelar, excepcionalmente menores do que os seus análogos supermassivos, são na verdade estrelas com massas entre 5 e 50 vezes à do nosso Sol que chegam ao final de suas vidas e colapsam sob sua própria gravidade. Mas, quando se trata de sistemas binários, nos quais uma estrela gira em torno de outra, o resultado é um buraco negro em órbita com uma estrela companheira ainda luminosa.

Por não emitir altos níveis de raios X, esses corpos celestes são considerados “adormecidos”. O único efeito passível de medição, explica Almeida em um comunicado à imprensa, “é o limite inferior da massa da componente não visível”, ou seja, uma componente estelar com baixa luminosidade.

Segundo o dr. Tomer Shenar, da Universidade Católica de Leuven da Bélgica, que liderou o estudo, “A estrela que deu origem ao buraco negro observado em VFTS 243 parece ter colapsado completamente sem sinal algum de uma explosão anterior”. Embora tenham surgido recentemente evidências dessa “morte”, o atual estudo mostra diretamente este fenômeno, conclui.

ARTIGO – Nature Astronomy – DOI: 10.1038/s41550-022-01730-y.

Veja a postagem original em: TecMundo

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