Biden diz que ‘ego ferido’ de Trump foi mais importante do que democracia dos EUA na invasão ao Capitólio

Em pronunciamento durante evento em memória de um ano da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, o presidente Joe Biden teceu duras críticas a Donald Trump e culpou o republicano pela ação de invasão cometida por seus apoiadores no dia em que sua derrota nas urnas seria oficializada. “Pela primeira vez na nossa história um presidente que perdeu a eleição tentou evitar a transferência pacífica de poder enquanto uma invasão violenta atingia o Capitólio, mas eles falharam. Nesse dia de memória precisamos nos certificar de que esse ataque nunca, nunca aconteça de novo”, afirmou. Assim como a vice-presidente Kamala Harris, que falou pouco antes dele, Biden lembrou dos policiais que se feriram e ficaram traumatizados durante a invasão. Sem citar diretamente o nome de Trump, ele lembrou dos comentários feitos pelo ex-presidente em uma convenção poucas horas antes do ato de terrorismo doméstico. “Nós vimos com os nossos próprios olhos os invasores ameaçando a vida do porta-voz da Casa e literalmente levantando uma forca para enforcar o presidente dos Estados Unidos. O que nós não víamos naquele momento? Nós não víamos o presidente, que tinha acabado de incentivar a multidão para atacar, sentado na Casa Branca, assistindo tudo pela televisão e não fazendo nada por horas, enquanto policiais eram feridos, vidas eram colocadas em risco e a capital da nação estava cercada”, afirmou. O presidente negou que o ato desta quinta-feira fosse uma forma de “ficar preso ao passado” e disse que apoiadores de Trump se opunham à Constituição, algo que não pode ser esquecido pelo país.

“A verdade é que o ex-presidente dos Estados Unidos criou e divulgou mentiras sobre as eleições de 2020 porque ele valoriza mais o poder do que os seus princípios; ele vê os seus interesses como mais importantes do que o do seu país e dos americanos e porque o ego ferido importa mais para ele do que a nossa democracia ou a nossa Constituição. Ele não consegue aceitar que perdeu, mesmo quando 93 senadores, seu próprio procurador-geral, seu próprio vice-presidente e governadores afirmaram que ele perdeu”, afirmou, lembrando dos mais de 80 milhões de votos dados para os democratas. “Ele não é apenas um ex-presidente. Ele é um ex-presidente derrotado”, disse. Biden lembrou que alguns representantes do partido Republicano foram contra Trump e recordou o passado democrático da legenda, que já foi representada por Lincoln e George W. Bush. Ele disse, porém, que “muitos estão transformando esse partido em outra coisa”. “Independente das minhas outras discordâncias com os republicanos que apoiam a lei, eu sempre trabalharei junto a eles para encontrar soluções compartilhadas para o país, já que temos a mesma visão sobre a democracia”, disse Biden. Ele afirmou que as eleições de 2020 deveriam “ser aplaudidas, não atacadas”, por levar um número recorde de votantes às urnas mesmo diante de uma pandemia.

Biden fez seu pronunciamento dentro do National Statuary Hall, uma câmara localizada no Capitólio que ostenta estátuas de norte-americanos importantes. Ele lembrou da importância histórica do local, de obras que estão há mais de 200 anos ali e já presenciaram outros momentos importantes para o país. “Essa estátua de Clio registrou os fatos e a verdades que Harris acabou de compartilhar com vocês, que eu e você, assim como o mundo inteiro, vimos com os próprios olhos. A bíblia fala que nós ‘devemos conhecer a verdade e a verdade nos libertará’. Nós devemos conhecer a verdade. Aqui está a verdade de Deus sobre o dia 6 de janeiro de 2021. Fechem seus olhos. O que vocês vêem? Manifestantes entrando pela primeira vez neste Capitólio, com bandeiras confederadas simbolizando aquilo que destruiu a América, que nos dividiu. Nem mesmo no período da Guerra Civil o que aconteceu aqui em 2021 tinha acontecido”, criticou.

Diante de uma significativa parte da população que ainda acredita que as eleições foram fraudadas, Biden lembrou de todas as contagens repetidas de votos e das artimanhas judiciais movidas para tentar mudar o resultado nas urnas. “A verdade é que nenhuma eleição na história da América foi analisada de forma tão minuciosa e contada de forma tão cuidadosa quanto essa. Todos os questionamentos legais possíveis em relação aos resultados em todas as Cortes do país foram feitos e rejeitados por juízes apontados pelos próprios republicanos, incluindo juízes apontados pelo próprio ex-presidente”, disse. O norte-americano negou que as pessoas que invadiram o Capitólio fossem patriotas, convidou cidadãos a lutarem pela democracia e frisou que “você não pode amar o seu país apenas quando vence”.

 


Fonte: Jovem Pan

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