Aulas de piano podem conter avanço do Alzheimer em pessoas mais velhas

Aprender um novo instrumento sempre foi uma atividade associada à juventude e à plasticidade cerebral. Mas agora pesquisadores mostraram que aulas de piano podem melhorar a saúde cerebral de idosos e prevenir o surgimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Os resultados obtidos revelam que em apenas seis meses é possível ter ganhos expressivos de qualidade de vida em pacientes envolvidos diariamente com a prática de música. As evidências apontam para o potencial terapêutico da atividade.

O avanço de condições neurodegenerativas pode ser contido com aulas de piano Fonte:  Shutterstock 

Na pesquisa, realizada na Alemanha e na Suíça, 120 voluntários com idades entre 62 e 78 anos foram divididos em duas classes. A primeira turma teve 30 minutos diários de prática de piano, além de lições semanais de uma hora.

Já a segunda estudou apenas teoria musical, incluindo conhecimento sobre gêneros, instrumentos e compositores. Em casa, o grupo recebeu tarefas de audição, leitura e preparação de apresentações, mas em momento algum chegou a praticar com as teclas.

Após seis meses, os pesquisadores descobriram que uma área do cérebro, o fórnice, dos participantes que praticaram piano estava mais estável que o dos demais. Essa região está associada com a neurodegeneração do órgão, e alterações no seu funcionamento são indícios de doenças como o Alzheimer.

Os resultados sugerem que a prática de um instrumento, que exige concentração e rotina, pode ajudar na função cerebral. Cientistas já sabiam que tarefas ativas são capazes de reverter o declínio natural do corpo que ocorre com a idade, mas o novo trabalho fornece evidências mais concretas do fenômeno.

Além disso, ele mostra que voltar aos estudos pode ser uma intervenção positiva para pacientes de doenças neurodegenerativas, mesmo os mais velhos. Os pesquisadores, entretanto, afirmam que mais dados são necessários para confirmar se os efeitos positivos são duradouros.

ARTIGO Frontiers in Aging Neuroscience: doi.org/10.3389/fnagi.2022.817889

Veja a postagem original em: TecMundo

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