Alckmin não entrou na chapa de Lula como figurante

Jaques Wagner em sabatina na universidade de Harvard| Foto: Reprodução

O senador e ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA) afirmou, neste
sábado (09) que a pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSB) a vice-presidente na
chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma mensagem à sociedade brasileira
de que lula sabe que, se eleito, não poderá fazer um governo apenas com as
bandeiras do PT. Segundo Wagner, Alckmin não entra na coligação para ser um
figurante.

“Estamos vivendo um momento parecido com o movimento das Diretas Já. A quebra da institucionalidade, as ameaças constantes ao STF, a tentativa de ameaça à imprensa, à cultura, a ideologização do Ministério da Educação acabaram colocando o Brasil num patamar que a gente nunca teve, de desconfiança internacional. Precisamos perceber, sem preconceito, que é preciso um governo de união ou unidade nacional. O convite do presidente Lula a Alckmin não foi um convite para figurante na chapa. Foi para mandar uma mensagem, que quem não tem preconceito na cabeça já percebeu, que ele sabe que vai ter que fazer um governo que não é um governo do PT apenas, mas um governo de uma junção. É a mensagem de que queremos ampliar nosso governo”, disse. Wagner representou o ex-presidente Lula na Brazil Conference, evento de sabatinas e palestras realizado em Boston, por estudantes da Universidade de Harvard.

Para Jaques Wagner Lula e Alckmin não são políticos
antagônicos, apenas estiveram em lados opostos na história eleitoral do país
pelo protagonismo que PT e PSDB tiveram nas eleições presidenciais. “Todas as eleições
a partir de 1989 foram polarizadas entre PT e PSDB e esse foi nosso azar
histórico. A disputa eleitoral acabou colocando em campos opostos, como
adversários, os dois agrupamentos que foram as grandes novidades positivas pós-governo
militar. Mas eu não acho que nós somos antagônicos. Temos diferenças, mas o PT
e o PSDB, quando nasceram, nasceram com a pauta social”, disse, para depois
elogiar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Só conseguimos fazer
a transformação social que fizemos nos governos Lula e Dilma porque recebemos
um Brasil bem melhor do que vamos receber agora. E a mensagem que foi passada
para a sociedade é essa. Vamos fazer um governo amplo, mas não vamos abrir mão
da nossa ideia, nosso foco é no social, mesmo porque somos o único país do
mundo que saiu do mapa da fome e está voltando para o mapa da fome”, citou,
afirmando que a chegada de Alckmin, mesmo que, agora, no PSB vai fazer uma
junção que ele “sempre sonhou”: de PT com PSDB.

Questionado sobre como seria a pauta do PT no combate à
corrupção após os governos anteriores do partido terem sido envolvidos em
escândalos como o mensalão e o petróleo, Wagner afirmou que os governos do PT
foram os que mais combateram a corrupção: “Eu acho que está claro para a
maioria das pessoas. Quem deu autonomia à Polícia Federal? quem criou a lei das
delações? Por ingenuidade? Não, por convicção de que era o melhor. Mas acabaram
usando o combate à corrupção para fazer uma movimentação política”, disse. “Se
eu tivesse que fazer uma autocrítica do PT foi por não ter feito já em 2003 a
reforma política, partidária, eleitoral e do financiamento de campanha. Alguns
dos nossos dançaram conforme a música e muita gente se aproveitou disso para
fazer uma montagem política travestida de combate à corrupção”, acrescentou.  “Não vejo nenhuma medida do atual governo mais
ao encontro do combate a corrupção que as nossas. A melhor forma de combater a
corrupção é a transparência e o controle social. E o que esse governo fez?
Orçamento secreto”, concluiu.

Fonte: Gazeta do Povo
Podcast O Papo É com Guilherme Fiuza e Rodrigo Constantino – Gazeta do Povo

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