Sem auxílio, mãe relata drama para tratar gêmeos com hidrocefalia em Santo Antônio de Jesus

Cristina Pita

 

Mãe de dois filhos gêmeos com hidrocefalia (um acúmulo de líquido no cérebro), a dona de casa de prenome Cláudia, durante entrevista a Ney Bacceli, na Recôncavo FM, na manhã desta sexta-feira (31), contou que não tem conseguido cuidar dos filhos e que está com dificuldades para obter acompanhamento médico e também alimentação para os dois.

Moradora do município de Santo Antônio de Jesus (a 190 quilômetros de Salvador), no Recôncavo baiano, ela foi até a emissora de rádio pedir ajuda aos moradores da cidade.  Por conta da falta de auxílio, ela relata que precisa muito de qualquer ajuda, pois além dos filhos, ela ainda cuida da mãe que tem problemas de saúde. Além disso, ela não tem condições para comprar o alimento especial que eles precisam, pois a renda familiar é de apenas R$ 160.

Cláudia relatou que não tem condições financeiras para tratar dos filhos com esta doença. Por isso o apelo na rádio. “Eles vivem de mingau. Tomam leite a noite toda. Esta noite eu não dormi porque eles pediam leite e eu não tinha para dar. Eu chorando e eles me abraçando, sem entender nada porque são crianças, dois anjos. Eu não quero que eles morram de fome”, desabafou. A dona de casa não pode trabalhar porque mora sozinha com os dois filhos e a mãe dela, e toma conta dos três, sozinha.

O apresentador do Acorda Cidade, Ney Bacceli, se sensibilizou com a situação de Cláudia, e reforçou o apelo dela por ajuda. “É de cortar o coração. Dona Cláudia, chorando bastante e visivelmente abalada. Não podemos virar as costas para as pessoas que nos procuram para pedir ajuda. Esta é a característica da Rádio Recôncavo, abrir as portas para que as pessoas possam reivindicar direitos, buscar ajuda e falar. Este é o apelo da Dona Cláudia com duas crianças em casa, com hidrocefalia. Vive do benefício do governo e da caridade das pessoas. Ela, não suportando mais, veio à Recôncavo FM fazer esse apelo à população da cidade. O apelo de uma mãe tentando salvar seus filhos”, disse o comunicador.

Quem puder dar um auxílio, basta entrar em contato com a Recôncavo FM pelo telefone (75) 3631-6199/2538 ou ligar para o celular de Cláudia (75) 98321-4072. Toda e qualquer ajuda será útil nesse momento delicado.

Entenda

Hidrocefalia é um acúmulo excessivo do Líquido Cefalorraquidiano (LCR). Esse líquido envolve o cérebro e a medula espinhal, agindo como um amortecedor de choques e protegendo os tecidos delicados dessa região. Também mantém o equilíbrio adequado de nutrientes ao redor do sistema nervoso central. Quando o líquido se acumula, provoca o aumento da pressão intracraniana e comprime o cérebro.

A hidrocefalia congênita também pode ser provocada quando a gestante ingere drogas (como LSD e cocaína) ou é portadora de doenças infecciosas, como rubéola, sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose. Os principais sinais são o crescimento exagerado da cabeça até os 2 anos, a moleira abaulada e as veias da cabeça dilatadas. Outros sintomas são os olhos voltados para baixo, chamado sinal do sol poente, e dificuldades no desenvolvimento.

A forma adquirida pode manifestar-se em qualquer idade e ser causada por infecções e tumores cerebrais, traumatismos cranianos, hemorragias ou AVC, por exemplo. Outra causa possível é a neurocistecercose, infecção provocada pela larva da Taenia solium, verme parasita do porco, que tem no homem o hospedeiro final. Esse verme, conhecido popularmente por solitária, pode atacar o cérebro e espalhar-se pela medula espinhal, acarretando sequelas neurológicas potencialmente mortais.

Infelizmente, a hidrocefalia ainda não tem cura. No entanto, se pouco ou nada se pode fazer contra as alterações cromossômicas responsáveis pelo aparecimento da doença congênita. O tratamento depende da causa. (Ministério da Saúde/Imagens Ilustrativas)

 

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