“Lesão leve”, avalia polícia sobre agressão sofrida por filha do prefeito de Muniz Ferreira

“Ela veio aqui [na delegacia], estava bastante roxa, mas já estava bem. Acredito que dê no máximo uma lesão corporal leve porque não a incapacitou para o serviço por mais de 30 dias”, declarou o delegado Edilson Magalhães à publicação.

Na 4ª Corpin, o caso está sob a responsabilidade da delegada Patrícia Jackes, responsável pelo Núcleo de Proteção à Mulher – em Santo Antônio de Jesus não há delegacia de atendimento especializado sobre violência contra mulheres. A delegada confirmou a informação do delegado de que o caso é de lesão corporal leve.

O laudo com os exames sobre as agressões sofridas por Clara Emanuele devem sair em 30 dias, mas a delegada diz que deverá concluir o inquérito na semana que vem, com base em imagens e depoimentos das partes envolvidas e de testemunhas. Não está previsto, contudo, o pedido de prisão preventiva ao final do inquérito.

“O crime de lesão corporal, mesmo que fosse gravíssima, dá pena de até 3 anos de reclusão, e só podemos pedir, pelo Código Penal, a prisão preventiva quando o crime for com pena acima dos 4 anos de reclusão”, disse a delegada, segundo a qual foi avaliado que não houve tentativa de homicídio por parte de Filipe.

Desde o dia 11 de maio, Filipe está impedido de se aproximar de Clara e do filho de um ano que eles têm, e que também de chama Filipe, a uma distância de 100 metros. Caso faça isso, será preso. “Estamos vigilantes quanto isso. Essa, no momento, é a única condição em que ele pode ser preso”, afirmou a delegada.

Indignação

A família de Clara Emanuele, de acordo com o Correio, quer a prisão imediata de Filipe, e defende que houve a tentativa de homicídio porque ele usou a faca nas agressões. “Ele agrediu a minha irmã para matar”, declarou a fonoaudióloga Andressa Vieira, 25. “Não foi uma briga normal de casal, foi uma tentativa de homicídio”.

Clara e Filipe tinham três anos juntos. Começaram a se relacionar no São João de 2015, em Santo Antônio de Jesus, e um ano e meio depois se casaram, em 10 de dezembro de 2016, numa cerimônia na Igreja Matriz de Muniz Ferreira. A festa, patrocinada pelo pai da noiva, teve 1.200 convidados.

Filha do prefeito da cidade de Muniz Ferreira, Wéllington Sena Vieira (PSD), a jovem foi espancada por Filipe dia 8 de maio, num apartamento alugado por ela em Santo Antônio de Jesus. Ela recebeu chutes, socos e teve o cabelo cortado com uma faca, usada também para fazer ferimentos nas unhas.

As agressões ocorreram por volta das 10h15 do dia 8 de maio. Uma vizinha acionou a Polícia Militar, mas Clara, devido às ameaças de morte de Filipe, acabou dizendo para a PM que era uma só uma discussão de casal. No mesmo, dia, contudo, por volta das 16h, ela resolveu ir até a delegacia prestar queixa.

No intervalo entre o fim das agressões e a queixa, Filipe saiu de Santo Antônio de Jesus e viajou para Salinas das Margaridas, cidade administrada pelo pai dele, o prefeito Wilson Pedreira, também do PSD e amigo do pai de Clara. Isso fez com que ele escapasse de uma prisão em flagrante, com base na Lei Maria da Penha.

Os prefeitos Wellington Sena Vieira e Wilson Pedreira são aliados políticos e amigos, mas a relação vinha estremecida há pelo menos um ano. É que, segundo a família de Clara, o ex-marido Filipe, depois de passar um tempo quieto, passou a se mostrar um homem agressivo, possessivo e ciumento. Não queria que a jovem estudasse e nem tirasse carteira de habilitação. Queria apenas que ela cuidasse da casa, e nem fosse visitar a família.

Filipe passou a fazer agressões na frente de todo mundo, seja em festas da família ou eventos públicos. E a relação política entre os pais do casal impediu que a polícia ficasse sabendo antes da situação para não expor a relação estremecida entre os políticos, segundo relata a irmã de Clara.

“A família já pensou em dar queixa, mas meu pai é amigo do pai dele. Teve uma vez que teve discussão na fazenda dele que envolveu todo mundo. Aí eu falei que ia dar queixa porque ele tinha me agredido verbalmente; a meu pai, física e verbalmente, e meu pai sempre pediu que não fizesse uma exposição dessas”, relatou.

Na Bahia, quem comanda a legenda a qual estão filiados Wéllington Vieira e Wilson Pedreira é o senador Otto Alencar. A assessoria de comunicação do PSD no estado informou que o partido não ia se manifestar sobre o assunto.

Armado no paredão

Filipe é frequentador de festas de som de paredão. No bolo de casamento dele, inclusive, tinha um boneco de noivo sentado em cima de grandes caixas de som. O rapaz não trabalhava e vive viajando a região de carro, as custas do pai, que também possui postos de gasolina e lojas de materiais de construção.

Filipe é o filho caçula de Wilson Pedreira – tem mais dois irmãos, e um outro que é falecido. Nas festas de paredão, Filipe gosta de ir armado e dar tiros para cima, está sempre buscando criar confusão com alguém, informa a Polícia Civil, segundo a qual já foi tentado fazer apreensão de arma com Filipe, mas nada foi localizado. Os prefeitos Wilson Pedreira e Wellington Vieira não foram localizados.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que “o caso está sendo investigado com total seriedade pela polícia, assim como todos os outros relativos à violência contra mulher, na Bahia. *As informações são do Correio.

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