Em depoimento, Odebrecht afirma que Lula recebeu dinheiro vivo

O empresário Marcelo Odebrecht confirmou nesta segunda-feira (10) em depoimento ao juiz Sérgio Moro que “Amigo” era o codinome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na planilha de propinas da empresa.

Segundo ele, a entrega de valores a Lula era feita por Branislav Kontic, assessor do ex-ministro Antonio Palocci. O empresário confirmou ainda que Palocci intermediava as remessas de dinheiro para o PT e era o “Italiano” na planilha de pagamentos da empresa.

O ex-ministro Guido Mantega, que sucedeu Palocci no Ministério da Fazenda, também teria passado a ser responsável pela movimentação de recursos para o PT, tendo sido batizado com o codinome de “Pós-italiano” ou “Pós-itália”. O empresário confirmou todos os repasses anotados na planilha do Setor de Operações Estruturadas, que ficou conhecido como departamento de propinas.

Segundo informações de O Globo, o depoimento durou cerca de 2h30. Entre as informações dadas por Odebrecht, estão ainda o repasse de R$ 4 milhões ao Instituto Lula e a quantia de R$ 12,4 milhões supostamente investidos na compra do prédio do Instituto. Odebrecht confirmou que a doação de R$ 4 milhões ao Instituto Lula em 2014 foi feita por meio de uma empresa laranja e que a empreiteira comprou o terreno que serviria para abrigar a sede do Instituto Lula.

Odebrecht acabou condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro do esquema de propinas e cartel na Petrobras.

Defesa

Em nota, a assessoria de imprensa do Instituto Lula afirmou que existe no mesmo local desde 1991 e que todas as doações ao instituto foram feitas com nota fiscal e dentro da lei, como anteriormente informado aos juízes da Operação Lava Jato. A nota afirma ainda que o ex-presidente Lula não tem nenhuma relação com qualquer planinha de propinas e que não comentará sobre depoimento ainda sob sigilo. Confira a nota:

“O Instituto Lula funciona em uma casa adquirida em 1991 pelo antigo IPET, que depois seria Instituto Cidadania e depois Instituto Lula. O Instituto jamais teve outra sede ou terreno.

O ex-presidente Lula teve seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados, sua residência e de seus familiares sofreram busca e apreensão há mais de um ano, mais de 100 testemunhas foram ouvidas em processos e não foi encontrado nenhum recurso indevido para o ex-presidente.

Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim e isso será provado na Justiça. Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros possam se referir a ele como ‘amigo’, que nem essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento, por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de justiça vazado seletivamente e de forma ilegal.

Todas as doações para o Instituto Lula, incluindo as da Odebrecht estão devidamente registradas, com os nomes das empresas doadoras e com notas fiscais emitidas, foram entregues para a Receita Federal em dezembro de 2015 e hoje são de conhecimento público.”

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