CIDADE DE HISTÓRIAS: Depois de uma farmácia reformar escolas, agora a Prefeitura de Cachoeira contratou escritório de advocacia para fornecer livros didáticos infantis

Cristina Pita
cristinapita@bacidades.com.br

A cidade histórica de Cachoeira (a 110 km de Salvador), no Recôncavo baiano, virou réu de sua própria história. Porém, não a que revela a Cidade Monumento, com prédios e casarões históricos e importância na luta pela Independência da Bahia. A história é mais sombria, estranha e atual.

Depois do prefeito Tato Pereira fechar uma escola quilombola e uma farmácia vencer a licitação para reformar escola, agora foi a vez de um escritório de advocacia ganhar o certame para fornecer livros didáticos às crianças da Educação Infantil nas escolas da rede pública municipal

Segundo divulgou o Diário de Notícias, a Toledo e Toledo Advocacia e Consultoria S/S Ltda fechou contrato por 12 meses com a prefeitura e receberá  R$ 212.407 para o fornecimento de livros didáticos para alunos da rede pública municipal de ensino da Educação Infantil (Pré Escola), ‘em atendimento as necessidades da Secretaria de Educação do município’, conforme publicação no Diário Oficial do Município (DOM).
Em outra publicação no DOM, de 8 de fevereiro, a prefeitura divulgou a contratação de uma farmácia para prestar serviços de reforma e ampliação da Escola Municipal Edivaldo Brandão, por meio de carta convite e valor de um pouco mais de R$ 79.638 para  a farmácia ‘Aurelino Salles Ltda EPP’ entre 11/04 a 31/12.

A prefeitura chegou a divulgar uma nota onde afirmou que houve falha na digitação. Segundo a nota, a ‘Prefeitura de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, esclarece que a Farmácia Aurelino Salles não foi contratada para prestar serviços de reforma, conforme consta no resumo do objeto de licitação publicado no dia 8 de fevereiro. Informamos que o preenchimento foi feito de forma equivocada e por isso não produziu nenhum efeito’. 
Fechou até uma escola quilombola
 Em outro capítulo do Governo Tato Pereira (PSDB), ele teria autorizado o fechamento de uma escola quilombola, a Almerinda Pereira, na localidade de Engenheiro da Cruz, na zona rural. Após mobilização da comunidade e ação movida pela Associação Beneficente dos Moradores de Opalma,  através da Defensoria Pública da União (DPU), a Justiça obrigou o prefeito de Cachoeira a reabrir a escola e, em caso de descumprimento, terá que pagar multa diária de R$ 5 mil.
 A Escola Quilombola Almerinda Pereira funcionava há 31 anos, atendendo à comunidade local, educando alunos de Ensino Fundamental I e II e da Educação Infantil, e tinha mais de 50 alunos. Segundo informações relatadas pela Associaçãp, o ato de fechamento da escola foi realizado sem qualquer comunicação prévia aos responsáveis da instituição de ensino, que funcionava desde 1981.
Os responsáveis dos alunos matriculados também não foram comunicados sobre a decisão, havendo apenas a retirada dos materiais e equipamentos escolares no início de dezembro de 2017 por meio de uma funcionária da Secretaria da Educação municipal.

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