OLHAR: ‘E é assim o nosso São João’

*Uberdan Cardoso 

A GRANDE Festa de São João da nossa cidade, inaugurada em meados da década de 1990 pelo então Prefeito Álvaro Bessa, nasceu da necessidade de se encontrar um grande evento que substituísse a Micareta, festa de grande apelo popular mas que já preocupava pela logistica que a envolvia. Precisava – se ocupar o calendário da cidade com uma festa que se constituísse em TRADIÇÃO e, como talvez dissesse Eric Hobsbawn, não há problema em se inventar uma.

O nosso São João, no entanto, não nasce alicerçado nas velhas fórmulas nordestinas e sim, num modelo comercial que agregou à festa, além da diversão, o lucro. O que há de inusitado no tema em questão? NADA, em absoluto!

As grandes festas têm, por natureza, uma finalidade comercial que as sustentam e consolidam.

E é assim o nosso São João. Queremos imputar a ele uma dinâmica que ele próprio não tem. A nossa festa tem no forró pé de serra um adereço, um brinco apenas que enfeita a modalidade principal, o Lucro.

E como digo aos amigos nas ruas, repito que não há erro em manter um São João grandioso e tê-lo como prioridade, porque o lucro não escolhe o bolso, ele promove uma dinâmica urbana esperada por empresários e trabalhadores das mais diferentes funções. O São João não eleva apenas a auto estima da nossa gente, ele aquece a economia do município. Do baleiro ao dono do hotel, há uma renda sazonal que alimenta contas e bocas.

E o poder público não pode nem deve se eximir dessa responsabilidade de pautar o evento grandioso. O que não quer dizer que não deva se comprometer com a economicidade, transparência e razoabilidade, marcas perdidas em um passado recente mas resgatada neste último, em 2017.

Acho que temos que ter um Conselho do São João, uma engrenagem democrática que postule o seu formato, mas que dialogue com a sua essência, o seu DNA mutante, a não ser que nós, a turma do chapéu de palha, do licor com amendoim de casa em casa, que pulamos fogueira pra virar compadres, e que dançamos no frio de junho xote, xaxado, baião e forró, reinventemos essa tradição.

Nosso problema está na saudade, na percepção de que o São João que vivemos escorreu pelos dedos, daí resistirmos ao novo São João que nos apresentam.
Acredito que temos que conviver de forma lúcida com essa realidade, afirmando a importância do que nos entretém e dá prazer sem anular o “novo” afinal, se eu não for assistir Pablo Vittar no São João, ele não vai deixar de cantar para milhares de pessoas encantadas com seu talento.

*Professor e Vereador de Santo Antônio de Jesus

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