Unidade de Queimados do HRSAJ atende vítimas no interior do estado

O Nordeste, junto com o Sudeste, como as regiões com mais vítimas de queimadura do país, concentraram 63,4% dos registros, entre outubro de 2017 e março de 2018. Os dados são do DataSus, o banco de dados do Ministério da Saúde.

Os registros da plataforma mostram também que a Bahia somou 679 mortes por queimaduras ou corrosões neste segundo período, o que leva a uma taxa de mortalidade de 3,51% no estado, a 5ª maior do país.

Entre 2015 e 2018, a Bahia, segundo divulgou o Correio neste domingo (2/9), que não conta com um banco de pele, somou 6.233 internações por queimaduras e corrosões; só na capital foram 3.050 ocorrências neste período. As queimaduras domésticas, entre elas as agressões, representam 80% do total de atendimentos do HGE.

O cirurgião plástico e membro do Centro de Tratamento de Queimados do HGE, Victor Felzemburgh, em entrevista ao Correio, disse que a unidade realiza uma média mensal de 34 cirurgias plásticas em vítimas de queimaduras, sendo que 61% são homens e 38,2%, mulheres. No entanto, o número se mostra inversamente proporcional quando se menciona a quantidade de óbitos: 43,9% do total de pacientes mulheres morrem vítimas de queimadura, enquanto 23,9% de pacientes homens não resistem.

Bahia não possui banco de pele

A população baiana dispõe de dois pontos de atendimento às vítimas de queimadura, inclusive para a necessidade de cirurgia, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab): o HGE e o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus.

No entanto, o estado ainda não conta com o banco de pele, sendo necessário trazer de outros estados ou de fora do país, quando há necessidade de enxerto de tecido que não seja retirado do corpo do paciente.

O coordenador do Serviço de Cirurgia Plástica e do Centro de Tratamento de Queimados do HGE, Marcus Barroso, expliciou ao Correio a complexidade desse tipo de intervenção. “O transplante de pele necessita de uma equipe de microcirurgiões e acontece com a retirada de uma lâmina fina de uma região não queimada do paciente – de preferência, a coxa –, que vai se integrar e fazer a cobertura. Já os pacientes que tiveram queimaduras em muitas regiões do corpo e não dispõem de pele saudável, se usa pele de boi ou de porco, o colágeno, ou peles de banco de doadores, realizando o mesmo método cirúrgico”, destaca ele.

Apesar da ausência de banco de pele, Barroso garante que a Bahia possui, hoje, os materiais mais modernos do mercado no tratamento de queimaduras e feridas graves. “As cirurgias mais comuns são as que envolvem enxerto de pele, seja a pele do próprio paciente ou proveniente de banco de pele ou, até mesmo, uma pele artificial, feita com colágeno bovino e de porco”, comenta ele.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil deveria ter 13 bancos de pele, no entanto, existem apenas três em funcionamento, em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Segundo a própria pasta, os bancos não suprem 1% da necessidade de pele do país.

Onde buscar atendimento em Santo Antônio de Jesus

• Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus – R. Cosme e Damião, s/n – Andaiá, Santo Antônio de Jesus – tel.: 75 3162-1400;

Onde buscar atendimento em Salvador

• Hospital Geral do Estado (HGE) – Av. Vasco da Gama, s/n – Brotas, Brotas de Macaúbas – tel.: 71 3357-4128.

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