Funcionários da saúde em Santo Amaro estão há quase dois anos sem salários

Sem repasses municipais há exatos nove meses, a Santa Casa de Misericórdia de Oliveira dos Campinhos, instituição filantrópica no município de Santo Amaro (a 80 km de Salvador), no Recôncavo Baiano, gesta uma crise sem precedentes. Segundo divulgou o Bocão News, além da falta de materiais para o atendimento básico do público, incluindo medicamentos, funcionários da unidade estão há 21 meses sem receber salários.

De acordo com a publicação, representantes do setor afirmam que o quadro caótico na saúde da cidade remonta à gestão do ex-prefeito Ricardo Machado, acusado de desviar R$ 24 milhões entre os anos de 2013 e 2015, segundo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público da Bahia na 5ª fase da Operação Adsumos.

“A Santa Casa vive essa situação desde que o então prefeito Ricardo Machado decidiu assumir a gestão plena da saúde. No iníicio do atual governo [do prefeito Flaviano Rohrs da Silva (DEM)], do qual fiz parte nos 100 primeiros dias, chegamos a ajustar as contas e a pagar os funcionários com regularidade. A partir de setembro do ano  passado, a situação perdeu o controle, uma vez que não houve repasse de um só centavo por parte do município”, afirma Maurício Dias, presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado da Bahia (Fesfba). O convênio da prefeitura prevê aporte de R$ 170 mil mensais.

A santa casa chegou a paralisar suas atividades por diversas vezes do fim de 2017 para cá, mas foi reaberta no último dia 3, segundo Dias, graças à “boa vontade” dos colaboradores.

A unidade médica atende cerca de 2,5 mil pessoas por mês, com serviços de urgência e emergência, internação e  especializações como pediatria, cardiologia e ultrassonografia.

“Com a Santa Casa fechada, as pessoas ficam totalmente desassistidas. Precisam se deslocar para outras cidades do recôncavo. A mais próxima fica a a aproximadamente 20 quilômetros de distância”,  diz o presidente da Fesfba.

No dia em que o espaço voltou a abrir as portas, o deputado federal Antônio Brito (PSD) afirmou ter assegurado emendas parlamentares de R$ 600 mil a serem destinadas para custear a unidade. Na ocasião, Brito pediu às lideranças políticas locais que “fiscalizem” a chegada da verba.

Município diz que enfrenta sobrecarga

O secretário de Saúde de Santo Amaro, João Militão, diz que a saúde do município experimenta uma “sobrecarga”.

“Com a gestão plena,o  município deixou de receber R$ 320 mil do governo do Estado, que é um impacto grande. Acontece que só chegam atualmente cerca de R$ 400 do Fundo Nacional da Saúde, para que o município cuide de todos os equipamentos. Há um esforço extraordinário para manter o município com comando único”, justifica o secretário.

Questionado sobre a situação atual das unidades mantidas pela pasta, Militão diz que todas as unidades estão funcionando “plenamente, normal”.

“Para o governo a situação está boa. Mas, para quem precisa de atendimento, falta tudo”, critica o vereador da  oposição Jeronidlo Sanches (PT).

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