Prefeitura de Valença cancela festa de São João. Em Amargosa, equipamentos para montagem das estruturas ainda não chegaram

Cristina Pita
Por conta dos reflexos da greve dos caminhoneiros, algumas cidades do Recôncavo e Baixo Sul estão diminuindo o número de dias dos festejos. Outras, como Valença, resolveram cancelar a festa junina
A arrecadação dos municípios caiu em torno de 30%  por conta da greve nacional dos caminhoneiros, segundo divulgou a União das Prefeituras da Bahia (UPB). Na terça-feira (29/5), a Prefeitura de Valença anunciou em sua página oficial que ‘em virtude das grandes dificuldades econômicas que ocorrem nos meses de junho e julho decidiu cancelar o São João 2018’ na cidade do baixo sul baiano.
O prefeito Ricardo Moura convocou uma reunião emergencial com todo o secretariado para avaliar a decisão e, diante das atuais dificuldades econômicas na administração pública resolveu suspender a festa.
A prefeitura levou em conta vários fatores para a decisão, entre eles, a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de receita do ICMS proveniente da greve nacional dos transportes de cargas, onde as mercadorias não circulam acarretando na diminuição drástica da geração de impostos.
Além disso,  priorizou o pagamento em dia do funcionalismo publico, andamento adequado das obras já iniciadas, prioridade na recuperação das estradas da zona rural; e evitar a redução no quadro de funcionários; o compromisso com o pagamento de fornecedores; rigorosidade e a antecipação de 50% do 13º de todos os funcionários.
Na nota divulgada na página oficial, a Prefeitura de Valença lamentou o cancelamento dos festejos juninos no município. “A prefeitura de Valença lamenta por não poder neste ano, proporcionar aos nossos munícipes uma grande comemoração junina como de costume, mas tal decisão implica no bem comum do município em sua totalidade. Agradecemos a compreensão de todos e desejamos um feliz São João”.
Segundo o presidente da UPB, Eures Ribeiro,  a entidade registrou uma queda de 25% a 30% na arrecadação dos municípios. “Isso apenas em nove dias de greve. Muitos prefeitos estão reduzindo o tamanho da festa e alguns estão cancelando por falta de recurso. A orientação da UPB é que eles façam cortes para conseguir pagar a folha e manter os serviços essenciais”, disse.
Outros municípios

Eures Ribeiro informou que em Porto Seguro, no Sul da Bahia, a festa foi cancelada. Segundo ele, alguns prefeitos não conseguiram fazer a inscrição para receber a ajuda de recurso do governo do estado para o São João. O motivo: não tem combustível para vir à capital. “Conversei com o governador e o prazo foi estendido até o dia cinco”.

Alguns municípios estão com atraso na entrega dos equipamentos para montagem dos palcos, como acontece em Amargosa, no Recôncavo do estado, os equipamentos usados na montagem dos palcos já deveriam ter chegado, mas até agora nada. Segundo informou ao Correio, o prefeito Júlio Pinheiro (PT), o atraso na entrega do material está sendo provocado pelo bloqueio nas estradas. Ele tem esperança de que tudo esteja resolvido nos próximos dias.

“As estruturas de som, palco e iluminação ainda não chegaram devido a paralisação, mas, por enquanto, a festa de São João está mantida. Esperamos que essa semana tudo se resolva e que tanto os equipamentos como os insumos da festa cheguem. Caso a greve se estenda para além dessa semana, aí ficaremos mais preocupados”, disse.

A cidade também foi afetada pela falta de combustível e alimentos. Na última sexta-feira, o prefeito decretou situação de emergência e criou um comitê de crise para acompanhar os desdobramentos da paralisação dos caminhoneiros.

As aulas foram suspensas, e na área da saúde estão em funcionamento apenas as transferências hospitalares e o serviço de hemodiálise. Nesta terça, dois comboios com combustível foram escoltados até os postos do município. Segundo o prefeito, 30% do material será usado em ambulâncias, viaturas e nos carros da coleta de lixo, e os outros 70% foram disponibilizados para os consumidores comuns.

Outras cidades remarcaram ou cancelaram festas por falta de combustível para os geradores ou porque temem que a queda na arrecadação tributária comprometa os pagamentos. A UPB ainda não tem o levantamento de quantos municípios cancelaram a festa, mas disse que a cada dia mais prefeitos procuram a instituição preocupados com o impacto da greve dos caminhoneiros para organizar os festejos.

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