Centro de Recuperação em Valença, que oferece ajuda gratuita a dependentes, precisa de doações

Cristina Pita

O Centro de Recuperação Restaurar, instalado no Orobó, localidade rural do município de Valença, no baixo sul da Bahia, precisa de doações e de trabalho voluntário para continuar a auxiliar dependentes químicos a deixar o vício e voltar ao convívio social e familiar. Além de precisar de doações básicas, como alimentos, roupas e produtos de limpeza e higiene, o Centro carece de material de construção para consertar e ampliar as dependências para poder atender mais pessoas. Além disso, doações financeiras mensais que possam garantir a manutenção do espaço e dos trabalhos.

Pastor Dênison e Rute Santos, uma voluntária

Com capacidade para abrigar 20 internos, hoje o Restaurar cuida de 12, mas o número pode aumentar a qualquer momento. “Isso porque de repente chega uma pessoa precisando de ajuda e nós não rejeitamos ninguém. Muitos vêm sozinhos, outros a família traz e há os que a gente oferece ajuda”, explica o pastor e coordenador do Centro de Recuperação, Dênisson Pedro Santos Silva. Nenhum interno precisa pagar o tratamento. A instituição é mantida apenas com doações, mas elas não estão sendo suficientes. Quem puder contribuir pode entrar em contato pelo telefone (75) 98899-7339.

No local, os internos se ocupam com atividades de agricultura, cuidam de uma horta e das galinhas, praticam esportes, trabalham com artesanato; e reuniões espirituais, onde participam da Escola Bíblica Dominical, com a leitura da Bíblia e louvores. “O que nos impulsiona a continuar nesse trabalho, além de Deus, são os resultados. As dificuldades são muitas. Quando a família nos procura, solicitamos uma cesta básica mensal para manutenção. No primeiro mês a família colabora, mas depois não envia mais os recursos”, lamentou o pastor Dênisson Pedro.

No Centro de Recuperação Restaurar existe um refeitório e uma pequena padaria com equipamentos para produção de pães e bolos, mas não está funcionando porque falta material dos ingredientes como farinha de trigo, fermento, manteiga e fermento. Os dois alojamentos necessitam de reforma estrutural, além de uma melhor infraestrutura como novas camas, lençóis, travesseiros, cobertores, toalhas.

Pastor Dênison Pedro

Além disso, falta material humano. Profissionais que desejem atuar como voluntários no atendimento aos internos, que precisam de ajuda terapêutica, mas não se consegue um psicólogo que atue como voluntário para dar assistência psicológica, já que lá eles buscam se livrar das drogas e do álcool. “Eles chegam aqui e com oito dias passam a sentir dor física por conta da abstinência. Precisamos ter um psicólogo para ajudar no tratamento, além de um assistente social, um clínico e um dentista”, elencou o pastor  Dênison Pedro.

O ambulatório  do local possui maca, mesa, cadeira e poltrona, mas está sem funcionar por falta de um médico clínico, que atenda como voluntário. A principal estratégia de tratamento do abrigo é ocupar o tempo dos internos com atividades como aulas, palestras, orações, músicas e serviços compartilhados que ajudem na manutenção da instituição. “Duas pessoas da Igreja Ministério Restaurar, com sede no bairro do Mangue Seco, em Valença, nos ajudam ensinando artesanato. Os produtos confeccionados a gente busca vender para pousadas, hotéis”, disse o pastor Dênisson.

O Centro foi fundado há cinco anos numa iniciativa do Ministério Restaurar, que possui congregações nos bairros do Tento, Baixa Alegre e Bolívia. Pastor Dênison Pedro foi um dos internos em outro Centro de Recuperação de Valença, onde ficou um ano e dois meses. Depois desse período começou a trabalhar como obreiro, onde ficou por mais cinco anos. O Centro não tem carro, mas o pastor vence as dificuldades e sai da cidade até a zona rural de bicicleta e muitas vezes até a pé.

Ajuda

O Centro acolhe homens de várias cidades, principalmente de Valença, para tratamento do vício das drogas e do álcool, entre outras situações. Mas para proporcionar melhores condições a eles, a associação precisa crescer. A medida que ganha material de construção o local recebe melhorias e todas as despesas dependem de doação, como colchões, gás de cozinha, material de construção  e tudo que estiver dentro de suas possibilidades de doação.O Centro de Recuperação Restaurar, atende, hoje, 12 pessoas, sem cobrar nada. O número aumenta da noite para o dia. Se ampliar a estrutura, pode dobrar.

Assista alguns depoimentos:

No Centro eles têm meditações bíblicas, cada um pega sua bíblia e vai para a pequena igreja para orar e participar do culto. Eles ouvem a palavra de Deus. O lugar não tem muros e é um espaço totalmente aberto. Os homens permanecem pela vontade de mudança e o método usado é a liberdade e a fé. “Há os que vão embora, mas geralmente a maioria fica pelo desejo de mudar”, diz o pastor.

 

Adriano Correia hoje é obreiro

 

Um dos internos, o jovem Adriano Correia, de 28 anos, trabalha na instituição como forma de tentar se manter longe do vício. Ele conta que já esteve preso, mas agora quer começar uma nova vida. E está superando. Depois de três meses no Centro de Recuperação, Adriano já atua como obreiro, ajudando aos demais. Ele toma conta do espaço e administra as atividades.

 

 

 

Ronaldo Andrade Lima

 

Ronaldo Andrade Lima, de 29 anos, de Nazaré das Farinhas, conta que quase perdeu o amor da família ao se envolver com o vício. Hoje está determinado a ter uma nova vida.

 

Máximo Braga

 

Máximo Braga, de 42 anos, de Valença, está há quase dois meses no Centro de Recuperação depois de ter ficado quase um ano em outro centro, onde buscou ajuda. Máximo é casado e tem duas filhas. A esposa é professora, mas acabou se separando dele. Máximo tem fé que Deus vai restaurar seu casamento.

 

Joimar Vidal

 

 

Joimar Vidal Rocha, 33, deixou a esposa e os filhos em Ituberá para se tratar. Ele aconselha a quem está na dependência do vício, a procurar ajuda. “A caminhada é longa, mas a vitória é certa”, acredita.

 

 

 

 

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