SAJ: Coordenadora da Creche Escola Frei Manuel reclama de dificuldades para receber recursos da prefeitura

Problemas estariam na demora da secretaria de Educação e na Controladoria em analisar a documentação exigida pela Prefeitura de Santo Antônio de Jesus. A unidade está com atividades paralisadas há três dias.

Cristina Pita

A Creche Escola Frei Manuel, administrada pela Associação Maria Ernestina Larrainzar (Amael), em Santo Antônio de Jesus, continua com as atividades paralisadas. Desde a última quinta-feira (16), as atividades foram interrompidas. A Creche atende crianças dos 10 meses aos quatro anos de idade.

Segundo a coordenadora da instituição, freira Natalina Gomes, o pagamento de outubro ainda não foi repassado pela Prefeitura de Santo Antônio de Jesus. A freira explicou que a paralisação foi iniciada para cobrar os salários atrasados dos funcionários. “No dia seguinte, sexta (17), o pagamento de setembro foi depositado na conta da Associação, mas o de outubro não”, lamentou.

Cartaz informando paralisação desde dia 16

O recurso de R$ 200 mil, sendo oito parcelas de R$ 25 mil, do convênio firmado com a prefeitura, paga o salário de funcionários, a compra de material didático, de limpeza e higiene, e alimentação.  Segundo a freira, representantes da instituição se reunirão nesta segunda-feira (20) com os pais dos alunos para explicar os motivos da paralisação das ativiades.

A coordenadora da Creche reclamou que os atrasos prejudicam o funcionamento também aos funcionários. “Recebemos por mês R$ 25 mil. Esse dinheiro serve para quitar a folha de pagamento dos 16 funcionários. Estamos preocupados. A demora está chegando há dois meses, ou seja, a gente recebe um mês e leva dois para receber o próximo. Essa é uma situação insustentável. O trabalhador depende do salário para sustentar sua família”, disse.

A freira ressalta que a demora da Secretaria da Educação e da Controladoria do município em analisar a documentação exigida pela Prefeitura para repassar os recursos atrasa o processo. Segundo ela, a documentação é entregue o mais rápido possível pela creche. “A secretária é uma boa pessoa e tenta ajudar, mas não depende dela. Enviamos a documentação para a secretaria da Educação, que repassa para a Controladoria, que aponta as correções. E nesse processo há uma demora. E nesse tempo, por exemplo, uma certidão perde a validade, então temos que retirá-la de novo. Falta agilidade dos órgãos e prioridade para a creche”, apontou.

Demora em analisar documentos atrasa repasse

Luíza Sampaio, funcionária da creche, lamenta a situação. Segundo ela, a falta de agilidade e interesse em resolver o problema dificultam o recebimento do repasse em dia. “Os salários estão realmente atrasados”, explicou.

Luíza, que trabalha na secretaria da instituição, disse que, ao contrário do que foi informado pela secretária da Educação Cintia Souza e pelo prefeito Rogério Andrade, em entrevista às rádios locais, a direção da Creche Frei Manuel entrega toda documentação exigida, incluindo as correções, em tempo hábil. ” A prestação de contas é feita em tempo hábil. E quando é preciso fazer alguma correção, as mesmas são feitas rapidamente e devolvidas no menor tempo possível”, garantiu.

Segundo ela, o processo burocrático de andamento da prestação de contas não evolui dentro do prazo por vários motivos. “O controlador da procuradoria não mora na cidade ou porque o prefeito Rogério Andrade não assinou o cheque ou porque o funcionário da secretaria de Educação ignora as tentativas de contato para solucionar o problema. E assim, os dias e meses vão se passando e as contas a pagar dos funcionários vão se acumulando e o desespero também”, desabafou.

Freira Natalina Gomes

A coordenadora da creche teme que, em breve, não consiga alimentos para manter a instituição. A direção está se desdobrando para manter em dia o pagamento de fornecedores. O repasse deveria ser feito até o dia 10 de cada mês, mas a prefeitura não cumpre o prazo. “Ainda não há previsão de recebimento do recurso do mês de outubro, pois semana passada recebemos o de setembro quando deveria ser o de outubro. A Prefeitura deveria analisar os processos em caráter de urgência, mas não é o que acontece. Sei que tem outras creches na mesma situação, com repasses atrasados”, lamentou a freira Natalina Gomes.

Veja o depoimento da Freira Natalina Gomes:

 

 

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