APELO SOLIDÁRIO: Após se tornar cadeirante há 14 anos, Osório tem dificuldades para sustentar a família e cuidar da saúde

Cristina Pita

 

Um morador do município de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, Osório dos Santos Apolônio, de 54 anos, que não anda e sofre com feridas nas pernas, faz um apelo, em especial a Secretaria Municipal de Assistência Social, para que possa ajudá-lo. De acordo com ele, há 14 anos sem andar, ninguém o tem ajudado e ele está sem condições de manter a família.

Osório era um homem trabalhador, acostumado com a enxada, nasceu dentro do mato quando Varzedo ainda era território de Santo Antônio de Jesus, mas também conhece a zona urbana. De repente, um caroço na coluna cervical lhe deixou deficiente. Desde 2003 não anda.

A esposa, Marlene Rosa Lobo, 54, sofre de demência. A filha caçula do casal, Reilane Lobo dos Santos, de 19 anos, toma conta dos dois. Ela e a filha de dois meses moram com os pais numa casa humilde na Rua José Trindade Lobo, no bairro Santa Terezinha, que não é atendido pelos agentes comunitários de Saúde. Reilane está desempregada. “Já tentei várias vezes me cadastrar no Bolsa Família, mas não consigo”, lamentou a jovem.

A reportagem do BA Cidades foi até a casa de Osório. Uma casa com paredes de barro, telhado danificado, um banheiro sem rede de esgoto sanitário, com equipamentos quebrados, sem pia e um acesso comprometido para um cadeirante. É ali que vive Osório e sua família a mercê de uma atenção, pois antes buscava meios de fortalecer sua renda, mas agora, resta apenas depender de seu salário, já reduzido e, embora seja o mínimo, hoje somente cerca de R$ 500 é que entram mensalmente, porque empréstimos feitos por ele anteriormente, descontam 50% de sua renda.

Um grupo de profissionais liberais e amigos fizeram uma rede de solidariedade e tentam arrecadar recursos para ajudar Osório. A intenção do grupo é refomrar o banheiro da casa do cadeirante.

O BA Cidades encontrou Osório com uma vontade de lutar que continua viva dentro dele, sentado numa cadeira de madeira e se apoiando numa mesa para não cair. “Somos quatro dentro dessa casa, somente eu é que tenho salário, então fica impossível poder alimentar a todos, o que antes só era possível porque eu saía todos os dias e ia fazer qualquer bico e então sempre conseguia algum dinheiro, mas hoje, não nego, chego a ficar sem ter o que comer”, disse. Os banhos de Osório são na sala, sentado numa cadeira. O que seria um banheiro fica fora da casa, numa estrutura precária.

Do lado de fora, na janela, sua esposa, Marlene, sem nada entender. Na sala, a sobrinha Josiane da Paixão Santos, que deixa a casa onde mora, para ajudar a cuidar de Osório; e a caçula Reilane, que bastou ouvir o pai contar sua história, que logo começou a chorar. Ele está limitado. Os medicamentos, toma seis por dia, são adquiridos no PSF do bairro da Urbis 3, mas nem sempre encontra todos. “Tem dias que a gente pega só uma parte dos remédios, nem sempre encontramos tudo e ele fica sem tomar”, lamenta Reilane.

Sem curativos

Osório não escondeu sua dificuldade, com o rosto abatido, já durante a conversa não negou que até aquele momento que conversava conosco estava há quatro dias sem cuidar das feridas das pernas por falta de material para fazer o curativo. “Para fazer o curativo, tive que pagar um táxi para uma técnica de enfermagem vir aqui em casa, mas não tem mais como fazer isso. Eu não posso ir no posto”, desabafa. A filha Reilane faz o curativo em casa. Ela e Josiane vão ao posto buscar o material, mas o PSF da Urbis 3 está sem gaze. Para cobrir as pernas e evitar que moscas e mosquitos pousem nas feridas, elas improvisaram uma meia feita de tecido com elásticos nas pontas.

A secretária de Assistência Social do município, Dalva Mercês, esteve há quatro meses na casa de Osório e prometeu retornar em quatro dias. “Até hoje espero. Mostrei o estado do banheiro, as condições em que vivo. Mas não retornou ou mandou alguém aqui”, lamentou Osório, que não perde a esperança de obter uma visita, e quem sabe ser inserido em algum programa do governo federal, ou até mesmo ser auxiliado por orçamentos do município, que possam oferecer assistência à família tanto na questão alimentícia, quanto facilitar a ida de uma equipe de enfermagem para fazer os curativos de Osório ou realizar uma pequena reforma no banheiro da casa humilde em que a família vive.

O outro lado

A reportagem do BA Cidades tentou, sem sucesso, falar com a secretária de Assistência Social, Dalva Mercês.

Sobre a falta de gaze no PSF da Urbis 3, funcionários informaram que a sala de esterilização está sem funcionar. “A esterilização do material para curativos, como a gaze, é feita em outro lugar porque estamos com problemas na sala”, informou uma funcionária da unidade.

Sobre a ida de uma equipe à casa de Osório, que é cadeirante, fomos informados pela chefe de enfermagem da unidade que o bairro Santa Terezinha não é assistido por Agentes Comunitários de Saúde, que passam as demandas. Além disso, o PSF não dispõe de carro para levar a equipe até as casas. Porém, a enfermeira anotou o nome completo e o endereço de Osório e prometeu que agendará a visita de um médico para a próxima quarta-feira.

Osório, através do BA Cidades, faz um apelo:

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