Delações e lista de Janot tiram capital político dos principais atores para 2018

Em seus três anos, completados na última sexta-feira, a Lava-Jato passou como um rolo compressor sobre os nomes de destaque da cena política nacional. As citações em delações premiadas reduziram substancialmente o capital político de presidenciáveis e transformaram a corrida pelo Planalto em 2018 em um jogo totalmente aberto, sujeito à aparição de um novo nome.

O petista Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra e até Marina Silva (Rede) caíram nas pesquisas de intenção de voto, mudando o xadrez político brasileiro. Como resultado das denúncias e investigações, um em cada quatro eleitores declara não ter candidato a presidente.

Em pesquisa Datafolha divulgada em dezembro, em três dos quatro cenários testados, 20% dos entrevistados disseram que pretendem votar em branco ou nulo em 2018. Outros 6% não souberam opinar.

Lula

Ele que lidera a corrida presidencial segundo as pesquisas, viu o seu desempenho cair. Em fevereiro de 2014, um mês antes de a Lava-Jato chegar às ruas, o petista tinha entre 51% e 54% no Datafolha. Sua rejeição era de apenas 17%. No último levantamento do instituto, em dezembro do ano passado, o petista, réu em cinco ações ligadas à operação, tinha metade das intenções de voto: apenas 25%. A rejeição era de 44%.

A situação do ex-presidente já foi pior. Pesquisa divulgada em março, dias depois de o juiz Sérgio Moro determinar a sua condução coercitiva para depor sobre o tríplex do Guarujá e o sítio de Atibaia, mostrava o petista com apenas 17% das intenções de voto e 57% de rejeição.

Aécio

Até 2015 liderava a corrida pelo Planalto, não está em situação mais confortável. O tucano tinha em dezembro daquele ano 27% no Datafolha. Em fevereiro de 2016, caiu para 24%. A partir de março, quando aumentaram as citações ao seu nome na Lava-Jato, a queda se acentuou. Na pesquisa de dezembro do ano passado, o tucano somava apenas 11%. Apesar de aparecer na nova lista do procurador-geral da República Rodrigo Janot, Aécio não é réu em ação na Lava Jato.

Serra e Alckmin

Os dois que também sonham em disputar a presidência em 2018, Serra e Alcamin,  tinham 9% e 8%, respectivamente, no último Datafolha. O senador já chegou a ter 15% e o governador paulista, 14%.

Marina Silva

Ela perdeu capital político, depois que foi noticiado, em junho do ano passado, que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro disse em negociação para fechar a sua delação premiada que fez contribuições via caixa 2 para a campanha da ex-senadora a presidente em 2010. A líder da Rede, que tinha em abril do ano passado no Datafolha entre 16% e 23% (a depender do cenário), caiu para um patamar entre 14% e 18%.

O enfraquecimento dos nomes tradicionais pode tornar a disputa de 2018 muito pulverizada e levar candidatos com menos de 20% dos votos para o segundo turno.
   João Dória

Abre espaço para o surgimento de um novo nome. O problema é se esses nomes que podem surgir são aglutinadores ou geradores de maior fragmentação.

É nesse vácuo que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), podem aparecer. (O Globo)

      Jair Bolsonaro

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