Um sorriso ajuda a identificar um corpo

Cristina Pita

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia afirma que a expressão facial também pode ser empregada para identificar pessoas, segundo garantem os peritos odonto legais. O método é usado em casos em que o reconhecimento via datiloscopia – por meio de impressões digitais – técnica mais comum, não satisfaz, dizem os técnicos.

O perito odonto legal Celso Danilo Fonseca Vilas Boas, responsável pela 1ª Coordenadoria Regional de Polícia Técnica (CRPT/Feira de Santana), uma das unidades onde esta opção é mais utilizada, assegurou que se trata de um processo “científico, reconhecido e confiável”. De acordo com Vilas Boas, é mais usado quando, por ausência de prontuários odontológicos, não há possibilidade de se fazer um confronto com as arcadas dentárias. “As análises de corpos carbonizados ou em estado avançado de decomposição ou mutilado são os casos mais comuns para a utilização da técnica”, explicou.

Os especialistas fazem uma comparação entre a pessoa sorrindo em uma fotografia e o corpo a ser identificado. “Esta identificação analisa vários aspectos, como a linha do sorriso (decalque e formato), as bordas, cor, espaços entre os dentes, dentre outras características”, enfatizou Vilas Boas. Após a avaliação das peças, o comparativo é feito por meio de um aplicativo de edição de imagens. Mas, para que o método seja utilizado, a fotografia comparativa deve ter características indispensáveis, como, por exemplo, estar em alta resolução. Algumas informações complementares também podem ser recolhidas com familiares.

Além de agilizar a liberação do corpo, o processo também tem baixo custo para o estado, se confrontado com a identificação comparativa por DNA, que chega a custar R$ 10 mil, a depender do material analisado (sangue, osso, saliva etc). A técnica começou a ser aplicada em Irecê, pelo perito odonto legal João Pedro Pedroza, também professor de Odontologia Legal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). “Estudos nacionais e internacionais discutiram a utilização do método, aplicado de forma experimental durante algum tempo, mas hoje já visto e empregado como uma opção efetiva, prática e de baixo custo”, afirmou.

Ele lembra que há limitações relacionadas ao padrão do material utilizado para a comparação. “Nem todas as fotografias disponibilizadas por familiares servem para fazer este tipo de análise. Nestes casos, a técnica é dispensada e outros meios de identificação utilizados para a liberação do corpo”, finalizou. (Fotos Alberto Maraux/SSP)

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